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Beaune, a pequena grande capital dos vinhos da Borgonha

Beaune é porta de entrada para a Borgonha, unindo hotelaria de luxo, enoturismo imersivo e acesso aos microterroirs da Route des Grands Crus

Com sua arquitetura gótica flamenga e seus telhados coloridos, o Hospices de Beaune é marca registrada não apenas da cidade, mas da Borgonha (Foto: Beaune Tourisme)
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  • Beaune é a porta de entrada para a Borgonha, região com 29 mil hectares de vinhedos e terroirs muito valorizados.
  • A Borgonha representa quatro por cento das vinhas da França, mas quinze por cento do valor total das exportações de vinho; Beaune reúne hotéis de luxo e boa oferta de hospedagem.
  • A Route des Grands Crus, criada em 1937, liga Dijon a Santenay e percorre cerca de sessenta quilômetros entre vilarejos e vinhedos famosos de chardonnay e pinot noir.
  • Os climats formam um mosaico de parcelas históricas que, mesmo com mudanças ao longo do tempo, seguem definindo a qualidade dos vinhos; em dois mil e quinze, a Unesco reconheceu o conjunto como patrimônio mundial.
  • O Hospices de Beaune é o berço de uma tradição forte na região, com leilões em novembro que atraem compradores globais, além de destaque para casas históricas como Maison Champy e Prosper Maufoux.

Beaune é apresentada como porta de entrada para a Borgonha, a região vitivinícola mais cobiçada do mundo, onde microterroirs e tradições sustentam vinhos de alto valor. A cidade, com cerca de 20 mil habitantes, abriga 24 hotéis de luxo na sua região metropolitana, oferecendo hospedagem que soma cerca de 15 mil leitos.

Situada no coração da Route des Grands Crus, Beaune fica entre Dijon e Santenay, percorrida por cerca de 60 quilômetros que cruzam terroirs renomados, principalmente de chardonnay e pinot noir. O trajeto funciona como filtro, reduzindo turismo de massa e preservando a experiência de contemplação dos vinhedos.

A Borgonha soma 29 mil hectares de vinhedos, mas representa apenas 4% das vinhas do país. Mesmo assim, concentra 15% do valor das exportações de vinho, destacando-se pela exclusividade e pelo enoturismo premium. A região tornou-se símbolo de qualidade e savoir-faire ao longo de séculos.

A história do território remonta à Idade Média, quando monges definiram os climats — parcelas com características próprias. Dois vinhedos vizinhos podem produzir vinhos distintos, o que tornou o sistema de classificação centrado no vinhedo mais importante que o do produtor.

Os climats foram preservados ao longo do tempo, mesmo com reformas agrárias e o Código Napoleônico. Em 2015, a Unesco os reconheceu como patrimônio mundial, na categoria de paisagem cultural. Hoje, 90% dos turistas que visitam Beaune desejam conhecer a Route des Grands Crus, segundo entrevistas locais.

Entre as atrações, o Château de Pommard oferece visitas aos vinhedos, degustações e cursos de enologia. Em Saint-Aubin, a Maison Prosper Maufoux atua como hospedagem em meio às vinhas, com quartos disponíveis a partir de € 400. Em Beaune, a Maison Champy, fundada em 1720, contribui para o comércio local ao selecionar e elaborar vinhos de parcelas distintas.

O museu Cité des climats et vins de Bourgogne está entre as atrações mais visitadas, com degustações incluídas no ingresso. Nos arredores, o Hospices de Beaune é o destaque histórico, hoje um museu que recebe centenas de visitantes, inclusive para o leilão tradicional realizado no terceiro final de semana de novembro.

A tradição vinícola se exprime também na gastronomia da região. Boeuf bourguignon e escargots à la bourguignonne aparecem como marcos da cozinha local. A Moutarderie Fallot, fabricante de mostarda desde 1840, permanece entre as poucas empresas independentes que mantêm a tradição Dijon dentro da Borgonha.

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