- Maria, 38 anos, proprietária da Gentle Hands Massage Therapy em East Ayrshire, decidiu não atender novos clientes do sexo masculino após comportamento inadequado de alguns clientes.
- Ela relata situações em que o cliente pedia ficar sem roupas, tentou expor a área genital e fazia elogios que a deixaram insegura; ela continua atendendo dois clientes homens já conhecidos.
- Dani, 35, de Glasgow, também passou a tratar apenas homens conhecidos ou por indicação, destacando a prioridade de segurança e já expulsou um cliente por brincadeiras sobre “happy endings”.
- Ambas defendem treinamento padronizado para lidar com comportamentos inadequados e a criação de um órgão regulador para reporting de incidentes na indústria de massagem na Escócia; hoje não há órgão governante específico.
- Especialistas e representantes da BABTAC lembram que o assédio é comum e pedem mais proteção e conscientização; governo escocês afirma que todos têm direito a trabalhar em segurança e incentiva buscar apoio.
Maria, proprietária da Gentle Hands Massage Therapy em East Ayrshire, decidiu restringir atendimentos a novos clientes masculinos após comportamentos inadequados que a deixaram assustada. A mudança ocorreu após apenas três meses trabalhando como massoterapeuta qualificada.
A BBC Scotland conversou com várias terapeutas. Elas relatam pedidos por “extras”, conversas que desrespeitam limites e receio constante ao tratar homens. Líderes do setor apontam que esse tipo de conduta é comum e pede ações para ampliar a segurança.
Maria relata que costuma sair da sala enquanto o cliente se prepara. O paciente se desponta com a underwear baixa, e ela descreve situações em que o homem tenta ganhar sua confiança. Ela evita tratar áreas não treinadas.
Um caso envolveu homem que tentou expor a região genital; Maria lembrou que não é treinada para aquela área. Também havia elogios insistentes, como dizer que a ajudava a “manter a vida.” Ela afirma sentir-se mais segura ao tratar apenas mulheres.
Maria mantém dois clientes homens antigos, mas não aceita novos. O negócio cresce lentamente, porém a massoterapeuta afirma estar mais feliz e satisfeita com a profissão.
Dani, massoterapeuta de 35 anos em Glasgow, realizou requalificação há seis anos e abriu Drift by Dani. A profissional só atende homens conhecidos ou por indicação, especialmente quando outros clientes os atestam.
Ela descreve prioridade máxima para a segurança, sobretudo em sessões noturnas. Já barrando clientes por brincadeira de que oferecia finais felizes, Dani diz que reputação pode ser arruinada por esse tipo de comentário.
Para proteger o negócio, Dani afirma que é preciso criar regras padrão de treinamento para lidar com comportamentos inadequados e identificar sinais de alerta. Não há órgão regulador estatutário para massagistas na Escócia.
Maria também defende a criação de um conselho que permita registrar incidentes, além de reforçar a necessidade de suporte institucional. Ela aponta a falta de caminhos além da polícia para denúncias.
Jenny Storey, com 25 anos no setor, é proprietária de um spa e escola de formação em BABTAC. Ela diz haver um aumento de mensagens inadequadas nas redes e que mulheres passam a recusar atender homens.
Storey lembra de um episódio em que um cliente prendeu-a em sala de tratamento, o que molda seu treino para staff. Embora reconheça que há bons clientes masculinos, enfatiza a necessidade de preparo para lidar com situações desconfortáveis.
Um porta-voz do governo da Escócia afirmou que todos têm direito a trabalhar em segurança e que o comportamento descrito é inaceitável. A recomendação é buscar apoio para quem sofre assédio.
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