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Volkswagen é condenada por trabalho escravo em fazenda no Pará

Justiça do Trabalho condena a Volkswagen a pagar R$ 2 milhões a cada ex-trabalhador explorado na fazenda no Pará, maior indenização individual por trabalho forçado

Antes da condenação individual, a empresa já havia sido condenada em uma ação civil coletiva relacionada ao mesmo caso; na imagem, um prédio com o símbolo da Volskwagen
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  • A Justiça do Trabalho condenou a Volkswagen do Brasil por condições análogas à escravidão em uma fazenda no Pará, nas décadas de setenta e oitenta.
  • A sentença foi proferida em onze de junho de dois mil e vinte e seis, por um juiz de Redenção, no Pará.
  • A empresa deve pagar R$ 2 milhões a cada um dos quatro ex-trabalhadores, segundo o Coletivo Veredas, que representa as vítimas; é a maior indenização individual já determinada no Brasil em casos de trabalho forçado.
  • O caso envolve servidão por dívida: trabalhadores eram atraídos por promessas de emprego e ficavam presos a dívidas com a fazenda por alimentação, ferramentas e materiais de trabalho.
  • Antes da condenação individual, a VW já havia sido condenada em ação civil coletiva relacionada ao mesmo caso, com decisão de R$ 165 milhões por danos morais coletivos; a empresa recorreu.

A Justiça do Trabalho condenou a Volkswagen do Brasil por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão em uma fazenda no Pará, durante as décadas de 1970 e 1980. A decisão foi proferida em 11 de junho de 2026, em Redenção (PA). A sentença atende a uma ação movida por quatro ex-trabalhadores que ingressaram com a ação.

Os operários eram atraídos por promessas de emprego, mas ficavam vinculados a dívidas com a própria fazenda. O sistema de servidão por dívida incluía descontos por alimentação, ferramentas e materiais de trabalho, aumentando o débito ao longo do tempo.

A decisão determina o pagamento de R$ 2 milhões a cada um dos quatro ex-trabalhadores, totalizando R$ 8 milhões. Segundo o Coletivo Veredas, que representa as vítimas, é a maior indenização individual já fixada pela Justiça brasileira em casos de trabalho forçado.

Antes da condenação individual, a Volkswagen já havia sido condenada em ação civil coletiva relacionada ao mesmo caso. A decisão determinou o pagamento de R$ 165 milhões por danos morais coletivos, o que motivou recurso da empresa.

A Volkswagen argumentou que não havia vínculo direto com os trabalhadores. O juiz, no entanto, rejeitou a tese de isenção de responsabilidade e apontou que a empresa poderia ser responsabilizada pelas condições na propriedade.

Contexto da fazenda

A VW tornou-se acionista majoritária da fazenda em Santana do Araguaia (PA) durante a ditadura militar, em um projeto de ocupação da Amazônia incentivado pelo governo. A área alcançava dimensões amplas, com promessas de melhora salarial para abrir pastagens.

Relatos indicam que muitos empregados enfrentavam dívidas crescentes cobradas pela própria fazenda, o que dificultava a saída. Em barracos, sob vigilância, viviam em condições precárias, com controle de circulação e recursos básicos limitados.

Alguns trabalhadores deixaram o local ao alegarem necessidade de cumprir o serviço militar obrigatório. O caso segue sob acompanhamento de órgãos de defesa dos direitos trabalhistas e de vítimas de trabalho forçado.

Fonte: El País destaca que a decisão de Redenção encerra um capítulo histórico de exploração associada à indústria automobilística no Brasil. A Volkswagen do Brasil não comentou processos em andamento, segundo o veículo espanhol.

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