- A Granta encerrou sua parceria com o Commonwealth Short Story Prize após suspeitas de uso de inteligência artificial em um dos vencedores da edição de 2026.
- O vencedor sob suspeita foi Jamir Nazir, de Trinidad e Tobago, com o conto The Serpent in the Grove; Nazir e os demais premiados negaram uso de IA.
- Vencedores regionais anunciados em maio foram: Lisa-Anne Julien (África do Sul), Sharon Aruparayil (Índia), John Edward DeMicoli (Malta) e Holly Ann Miller (Nova Zelândia).
- A Granta informou que o Granta Trust decidiu não participar de parcerias externas sem controle editorial, mantendo apenas o conteúdo já publicado no site.
- A Commonwealth afirmou que o processo envolveu pelo menos sete avaliadores e que não houve uso de IA; a Granta continuará a divulgar os contos já publicados, enquanto a fundação buscará novas plataformas.
A revista britânica Granta encerrou a parceria com o Commonwealth Short Story Prize após suspeitas de uso de inteligência artificial no texto vencedor de 2026. A decisão foi anunciada pela Granta Trust, em comunicado, citando a necessidade de manter a integridade editorial e o controle sobre conteúdos.
O Commonwealth Short Story Prize, criado para reconhecer contos de autores de países de língua inglesa, tinha sua edição de 2026 com cinco vencedores regionais. Entre eles estavam Lisa-Anne Julien, de África do Sul; Sharon Aruparayil, da Índia; John Edward DeMicoli, de Malta; Holly Ann Miller, da Nova Zelândia; e Jamir Nazir, de Trinidad e Tobago.
Jamir Nazir teve o conto The Serpent in the Grove colocado em evidência durante a divulgação. Os demais premiados negaram qualquer uso de IA. Em meio à repercussão, leitores levantaram críticas sobre a escrita de Nazir, apontando indícios de estruturas comuns de textos gerados por IA.
Investigação e desdobramentos
A Fundação Commonwealth informou que cada vencedor passa por uma avaliação com pelo menos sete pessoas ao longo de várias etapas, incluindo leitores, tradutores e críticos. Em resposta à polêmica, a fundação ampliou a revisão dos textos vencedores.
Segundo Razmi Farook, diretor-geral da Commonwealth, a investigação concluiu pela ausência de IA nos trabalhos premiados. A instituição decidiu não recorrer a detectores automáticos, por considerar as ferramentas inadequadas para concluir questões de autoria.
A revisão envolveu conversas com os vencedores e a análise de rascunhos, anotações e dados com registro de data. A conclusão foi de que a IA não foi utilizada para escrever as histórias vencedoras.
Nazir informou à imprensa britânica que utiliza apenas um celular Android para escrever, por questões de saúde, com reconhecimento de voz e edição mínima. Em nota, a Granta afirmou que seus editores não participaram dos júris regionais nem da seleção para as listas de finalistas.
Impactos e próximos passos
A Granta comunicou que manterá no site os contos já divulgados da edição atual e anteriores do prêmio. A Fundação Commonwealth disse respeitar a decisão da Granta, reforçando a confiança na integridade de seu processo de julgamento e buscando novas plataformas para divulgação dos premiados.
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