- Estudos nos Estados Unidos com 4.290 pais de primeira viagem mostraram que 6,6% tinham depressão e 11% apresentavam ansiedade; 54% tiraram licença remunerada, 22% não remunerada e 15% não tiraram nenhum tipo de licença.
- A licença não remunerada foi associada ao aumento da ansiedade; pais que optaram por esse tipo de afastamento tiveram 58% mais probabilidade de apresentar sintomas de ansiedade.
- Não tirar licença parental esteve fortemente ligado a maior risco para a saúde mental; pais que desejaram tirar, mas não conseguiram, tiveram maior probabilidade de depressão e ansiedade.
- A pesquisa aponta que a pressão financeira é um fator motivador para não solicitar a licença parental, mesmo entre quem apresentava sintomas de saúde mental.
- Estudo sueco com 746 pais, ao longo de dezoito meses, indica que deixar entre quatorze e quarenta semanas de licença reduz significativamente sintomas depressivos, diferentemente de pausas mais curtas (até quatro semanas) ou maiores que quarenta semanas.
A licença-paternidade remunerada pode reduzir o risco de depressão e ansiedade entre pais recentes, segundo pesquisas publicadas na American Journal of Public Health. Estudos realizados nos Estados Unidos indicam que quem não tira o tempo necessário para cuidar dos filhos enfrenta maior risco de transtornos mentais.
Pesquisadores da Universidade Northwestern e do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie analisaram dados da Pesquisa sobre a Paternidade em Ohio (2022-2023). Entre 4.290 pais de primeira viagem, 6,6% apresentaram depressão e 11% ansiedade. A licença não remunerada elevou o risco de ansiedade, com 58% mais probabilidade de sintomas.
Outros dados mostram que 75% dos pais com sintomas de saúde mental relatam motivos financeiros para não solicitar a licença parental. Além disso, 75% apresentavam depressão e 71% ansiedade nesse grupo, indicando impacto econômico sobre o bem‑estar emocional.
Estudo na Suécia
Outra pesquisa, conduzida pelo Instituto Karolinska, na Suécia, acompanhou 746 pais por 18 meses, a partir de quando seus filhos tinham cerca de nove meses. Os resultados sugerem que uma licença equilibrada, nem curta nem excessiva, favorece o bem‑estar psicológico dos pais.
Os pesquisadores também consideraram condições familiares e socioeconômicas, além da duração da licença da mãe. Dados sugerem que licenças mais longas, entre 14 e 40 semanas, reduzem significativamente o risco de depressão em comparação com períodos de até quatro semanas.
Conclusões e implicações
As duas abordagens destacam a licença remunerada como ferramenta de saúde pública, não apenas de política trabalhista. Especialistas defendem ampliar programas de licença parental e reduzir barreiras econômicas para favorecer a saúde mental dos pais nos primeiros anos de vida dos filhos.
Entre na conversa da comunidade