- Líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X marcaram para o dia 1º de julho a ordenação de quatro novos bispos em Écône, Suíça, sem autorização do Vaticano.
- O Vaticano avisou que sagrações sem consentimento papal podem ser interpretadas como ruptura formal com a Igreja e levar à excomunhão.
- A FSSPX, fundada por Marcel Lefebvre em 1970, mantém missa em latim e celebra de costas para os fiéis, crescendo especialmente no Brasil nas últimas décadas.
- O movimento surgiu como resistência às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II (1962‑1965), que estabeleceu missa na vernacular e maior participação leiga.
- No Brasil, a missa na capela da Vila Mariana, em São Paulo, abriu espaço para convite de participação na comitiva europeia; desdobramentos podem impactar o papado e o debate sobre correntes tradicionalistas.
A missa dominical na Vila Mariana, em São Paulo, destacou a presença da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em pleno fim de Pentecostes. O padre celebrou em latim, com o turíbulo em riste e os fiéis acompanhando em silêncio, alguns de pé nas margens e no mezanino. O clima era de solenidade antiga.
A FSSPX é uma congregação que rejeita as reformas promovidas pelo Vaticano após o Concílio Vaticano II e mantém missas em latim com o padre de costas para os fiéis na maior parte do tempo. Fundada por Marcel Lefebvre, a ordem foi excomungada em 1988 por nomear bispos sem autorização papal.
A organização cresceu fora da Europa, chegando à América Latina pela Argentina e fortalecendo-se no Brasil nas últimas duas décadas, à frente de correntes conservadoras entre católicos. Mesmo com a excomunhão, o grupo segue atuante e em busca de novos bispos.
Na capela paulista, o padre convidou fiéis a integrar a comitiva brasileira que deve ir a Écône, na Suíça, para as sagrações marcadas para 1º de julho. O Vaticano já informou que celebrações sem consentimento papal serão interpretadas como ruptura com a Igreja e ficarão sujeitas à excomunhão.
Para entender o contexto, o Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, abriu a missa às línguas locais e estimulou a participação dos fiéis na leitura bíblica. A FSSPX surgiu em reação a essas mudanças, buscando manter o modelo anterior da Igreja.
Especialistas destacam que, embora o número de fiéis da FSSPX seja pequeno frente aos 1,4 bilhão de católicos, o movimento é considerado relevante por influenciar o debate conservador. A Santa Sé mantém a posição de exigir aceitação do Concílio para reconciliação.
A reportagem tentou ouvir representantes da FSSPX e autoridades católicas brasileiras, sem sucesso até o fechamento. A CNBB não respondeu aos contatos, enquanto a Força-tarefa da Igreja mantém o foco na resposta institucional a novas nomeações.
A próxima etapa ocorre na semana que vem, com as nomeações previstas em Écône. Os desdobramentos podem impactar o papado atual e acender debates entre as correntes dentro do catolicismo mundial.
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