- O CEO da Figma, Dylan Field, falou a mais de 10.000 pessoas no Config 2026, em San Francisco, destacando IA, design e criatividade.
- A empresa pretende devolver poder ao designer e manter o controle do código dentro do próprio canvas, reduzindo a distância entre desenhar e programar.
- Lições centrais: a IA baixou o piso da criatividade, mas ainda não elevou o teto; é preciso separar as duas ideias e usar a IA como ferramenta que amplia acesso, não garante qualidade.
- A discussão “design contra código” é considerada falsa; o foco é tratar cada opção como material disponível que pode ser combinado conforme o problema.
- A importância do design aumenta conforme escrever código e gerar telas fica mais simples; o valor passa a recair sobre decidir o que vale a pena construir e por quê, não apenas na produção.
Dylan Field, CEO da Figma, abriu o Config 2026 em San Francisco apresentando uma tese sobre IA, design e criatividade. O evento reuniu mais de 10.000 pessoas para discutir o futuro do design com código dentro do canvas. A fala priorizou enquadramento estratégico do que anúncio de produto.
Field voltou a defender que a IA não substitui o talento humano, mas altera o papel do designer. A empresa busca manter o controle do código dentro da tela e ampliar a participação criativa, mantendo a relação próxima com a comunidade de usuários.
O discurso serviu como guia para líderes de produto e negócio entenderem o momento, segundo o próprio executivo. Abaixo, detalhes e lições discutidas na keynote. O jornalista acompanhou a agenda na íntegra.
IA baixou o piso; elevar o teto ainda depende do humano
Field reconheceu que, anos atrás, previu que a IA facilitaria a entrada de iniciantes e elevaria a performance dos melhores. A implementação atual atingiu o piso, tornando a criação mais acessível, mas o teto ainda precisa de esforço humano.
A lição para lideranças é que democratizar ferramentas não garante resultados superiores. Critério, repertório e ambição continuam a definir a qualidade, independentemente do modelo de IA utilizado.
Design e código não são opostos; são materiais para a solução
O CEO reforçou que a dicotomia entre design e código é falsa. “Código não é o oposto do design, é material para o design”, disse, sinalizando que a Figma não vai forçar essa escolha. A visão serve para equipes que combinam recursos de IA com trabalho manual.
A abordagem sugere tratar cada opção como ferramenta disponível para resolver problemas, sem escolher previamente um caminho único.
A ferramenta não deve limitar a ambição
Field enfatizou que nenhuma ferramenta, including a Figma, deve frear a criatividade. Perguntas-chave devem mirar o que a ferramenta impede de fazer, não apenas o que ela permite.
Processos e plataformas que priorizam eficiência muitas vezes restringem o que a equipe consegue imaginar. A ideia é manter a liberdade criativa intacta durante a implementação.
Design continua valioso em meio à IA
Frente à ansiedade de que “design morreu” no ecossistema de IA, Field destacou a importância do talento humano para a criatividade. A expectativa é de aumento de experimentação e risco, impulsionado pela colaboração entre pessoas.
Dados da própria Figma mostraram avanço: a parcela de desenvolvedores que consideram o design essencial subiu de 44% para 65% em um ano. Com telas e código mais simples, o foco volta para decidir o que vale a pena construir.
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