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Depressão e ansiedade são o segundo maior motivo de licenças no Brasil

Em dois mil e vinte e cinco, depressão e ansiedade são o segundo maior motivo de afastamentos no Brasil, com mulheres respondendo por mais de sessenta por cento

Imagem de uma mulher de longos cabelos castanho-claros com as duas mãos sobre o rosto e de cabeça baixa, mostrando desalento numa mesa em que se vê um computador fechado
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  • Em 2025, o Brasil registrou o maior número de afastamentos por transtornos mentais em uma década, com ansiedade e depressão crescendo 15% em relação ao ano anterior.
  • As mulheres correspondem a mais de sessenta por cento dos afastamentos por saúde mental, enquanto os homens ficam um pouco acima de trinta por cento.
  • A Organização Mundial da Saúde aponta que, globalmente, 12 bilhões de dias úteis são perdidos por depressão e ansiedade a cada ano, gerando custos elevados. No Brasil, a OMS estima que 18,6% da população conviviam com transtorno de ansiedade na época da pesquisa.
  • A Organização Internacional do Trabalho informa perdas anuais de quase quarenta e cinco milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALY) devido a fatores de risco psicossociais ligados à saúde mental.
  • Especialistas citam a tecnologia e a pressão por desempenho como fatores que ampliam o sofrimento mental, indicando diagnóstico excessivo, “doping” em saúde mental e desafios na atuação dos serviços de saúde.

A depressão e a ansiedade são apontadas como o segundo maior motivo de licenças por saúde mental no Brasil, conforme levantamento de 2025. O avanço gradual de transtornos nesse campo acompanha o aumento de afastamentos no trabalho. A doença da coluna segue em primeiro lugar.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, houve crescimento de 15% nesses quadros em relação a 2024. O sexo feminino representa mais de 60% dos afastamentos, enquanto homens ficam pouco acima de 30%. Entre as causas, predomina o impacto no cotidiano profissional.

Especialistas destacam o papel da tecnologia na saúde mental. Aceleradores de diagnóstico, acesso a informações e pressões por desempenho criam novos desafios para tratamento e avaliação clínica. A sociedade encara a necessidade de resposta rápida a sintomas cada vez mais generalizados.

Tecnologia, diagnóstico e prática clínica

Médico psiquiatra da USP aponta que a velocidade de mudanças sociais aumenta a demanda por respostas rápidas. A busca por ferramentas para melhorar desempenho cognitivo e emocional tem ganhado espaço, com riscos de uso inadequado de medicamentos sem orientação profissional.

Outro pesquisador ressalta que a popularização dos diagnósticos pode levar à hipermedicalização. É preciso cautela para evitar rótulos prematuros ou inadequados, mantendo o diagnóstico como ferramenta terapêutica e não justificativa para comportamentos.

A transparência sobre saúde mental aumentou, segundo especialistas, mas o uso excessivo de telas pode agravar situações, sobretudo entre crianças, jovens e idosos. O equilíbrio entre mundo virtual e vida real é visto como desafio central da era tecnológica.

Desigualdades e impacto social

A literatura ouvida pelos profissionais enfatiza que os determinantes sociais pesam bastante: pobreza, desemprego, violência e habitação precária elevam o risco de problemas mentais. O acesso a tratamento costuma variar conforme classe social, complicando a continuidade de cuidado na saúde pública.

Os profissionais destacam que o sistema público de saúde enfrenta gargalos de investimento e infraestrutura. Em 2025, o IEPS aponta queda de 34,7% nos recursos destinados a investimentos, com aumento de despesas correntes. O quadro dificulta a expansão de serviços de saúde mental.

O debate envolve ainda a diferença entre tratamento em rede pública e privada. A continuidade de cuidados costuma ser maior no setor privado, enquanto a rede pública enfrenta limitações que afetam o acompanhamento de pacientes com transtornos psiquiátricos e psicológicos.

Políticas públicas e investimento

Relatórios indicam que, apesar de um pequeno incremento na dotação total da saúde em 2025, houve redução expressiva em investimentos para ampliar a capacidade instalada do SUS. O aumento de despesas obrigatórias compensou parcialmente, mas não substituiu o recuo em investimentos.

Especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas mais robustas para saúde mental, com foco em acesso igualitário, continuidade de cuidado e redução das barreiras de atendimento. O papel do Estado é considerado central para reduzir desigualdades nessa área.

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