- Michele Vanzella, 50, diretora do Blue Note no Brasil, narra em livro ter sobrevivido a uma tentativa de feminicídio ocorrida em junho de 2006, em Pinheiros, São Paulo.
- A agressão veio do namorado, que a ameaçava e chegou a sufocá-la; ela conseguiu reagir com um chute na genitália e fugiu para um hotel.
- A violência foi contínua durante o namoro, com abuso psicológico; a noite de terror ocorreu antes da Lei Maria da Penha e da tipificação do feminicídio no Brasil.
- O relato integra a coletânea Virando Páginas, organizada pelo grupo Virada Feminina; a segunda edição, com 67 coautoras, foi lançada neste mês e é vendida pelo Instagram por R$ 69.
- Desde 2012, Michele abriu uma empresa de produção, tornou-se diretora de negócios do Blue Note e, desde 2024, atua como mentora do programa Elas na Indústria, da Fiesp, para mulheres que buscam liderar e empreender.
Michele Vanzella, diretora da casa de jazz Blue Note no Brasil, contou publicamente um caso de violência doméstica ocorrido em 2006. A revelação integra a coletânea Virando Páginas, que reúne relatos de mulheres que enfrentaram machismo e misoginia.
Segundo a relato, o episódio aconteceu em Pinheiros, São Paulo, numa noite em que o namorado agressor chegou alcoolizado e a confrontou após ela indicar que iria terminar o relacionamento. Ela foi agredida fisicamente e passou por uma tentativa de asfixia.
Ela conseguiu se defender com um chute que feriu o agressor e, em seguida, fugiu para um hotel. No dia seguinte, ele trocou a fechadura do apartamento e proibiu Michele de pegar suas coisas. A vítima buscou refúgio em meio a uma situação de grande risco.
A noite traumática ocorreu há 20 anos, mas Michele só tornou público o relato recentemente. A história integra o livro Virando Páginas, organizado pelo grupo Virada Feminina, que já lançou uma segunda edição com mais coautoras.
Virada Feminina e contexto histórico
- O livro reúne relatos de mulheres que superaram violência envolvendo machismo e misoginia, com publicação vendida por encomenda.
- Michele observa que a Lei Maria da Penha entrou em vigor em agosto de 2006, pouco depois do ocorrido, e que o feminicídio passou a ser crime tipificado apenas em 2015.
- A empresária destaca que, na época, não havia compreensão adequada de violência doméstica e que a experiência marcante ocorreu após anos de abusos psicológicos e ameaças à família.
Michele nasceu em Guaporé, no Rio Grande do Sul, e iniciou a vida profissional precocemente. Formou-se em ciências contábeis e avançou na área administrativa antes de se estabelecer no setor cultural de São Paulo.
Ela manteve o emprego após o episódio e, anos depois, criou sua própria empresa de produção de conteúdo. Em 2012 fundou uma empresa ligada à cultura e, há nove anos, assumiu a liderança de negócios e patrocínios no Blue Note Brasil.
Desde 2024, Michele atua como mentora do programa Elas na Indústria, da Fiesp, orientando mulheres que buscam liderança e empreendedorismo. Em palestras, reforça a importância de reconhecer sinais de violência e buscar ajuda.
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