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Conexão tem limites que impactam uso e oportunidades

Uso de e-mail está ligado a melhor percepção da saúde mental entre adultos com 55 anos ou mais; redes sociais, a pior avaliação do bem-estar psicológico

A pesquisa identificou que o uso de e-mail está associado a uma melhor percepção da saúde mental, enquanto o uso de redes sociais pode estar relacionado a uma avaliação mais negativa do próprio bem-estar psicológico - (crédito: Imagem de gpointstudio no Magnific)
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  • Estudo publicado na revista PLOS Global Public Health analisou 13.536 adultos com 55 anos ou mais, usando dados da Pesquisa Canadense de Uso da Internet de 2022.
  • Constatou que o uso de e-mail está associado a uma melhor percepção da saúde mental, enquanto o uso de redes sociais está ligado a uma avaliação pior do bem-estar psicológico.
  • Mais da metade da amostra utilizava alguma ferramenta digital para se comunicar; após ajustes, houve associação positiva com o e-mail e negativa com as redes sociais.
  • Outras formas de comunicação digital (mensagens instantâneas, chamadas de voz ou vídeo, plataformas de conteúdo e sites de relacionamento) não apresentaram relação significativa com a saúde mental.
  • Especialistas apontam que a qualidade da conexão é mais importante do que a quantidade de contatos; entender os efeitos das redes sociais pode orientar estratégias de apoio ao bem-estar mental de pessoas idosas.

A conexão digital tem impactos distintos na saúde mental de adultos acima de 55 anos. Um estudo publicado nesta quarta-feira (24/06) na revista PLOS Global Public Health aponta que o uso de e-mail está associado a melhor percepção da saúde mental, enquanto o acesso às redes sociais pode estar ligado a uma avaliação negativa do bem-estar psicológico. A pesquisa analisou dados de 13.536 pessoas com 55 anos ou mais.

Os investigadores utilizaram a Pesquisa Canadense de Uso da Internet de 2022, conduzida pelo Statistics Canada. Os participantes relataram hábitos de comunicação online nos três meses anteriores ao estudo, além de indicadores de saúde mental autodeclarados e informações sociodemográficas.

Mais da metade da amostra utilizava alguma ferramenta digital para se comunicar. Depois de ajustar fatores que poderiam afetar os resultados, houve associação significativa entre uso de e-mail e melhor percepção de saúde mental. Em contrapartida, o uso de redes sociais esteve ligado a pior avaliação do estado psicológico.

Outras formas de comunicação digital, como mensagens instantâneas, chamadas de voz ou vídeo, plataformas de compartilhamento de conteúdo e sites de relacionamento, não apresentaram relação estatística relevante com a saúde mental dos participantes.

Envelhecimento ativo

Especialistas destacam que a tecnologia pode reduzir isolamento social e favorecer o envelhecimento ativo, desde que haja uso diretivo e com propósito. A conectividade é vista como ferramenta para manter autonomia e vínculos afetivos, porém o efeito das redes sociais de massa pode ser negativo para a percepção de bem-estar.

A pesquisa ajuda a esclarecer divergências existentes na literatura sobre os efeitos das tecnologias digitais no bem-estar psicológico de idosos. Conteúdos perturbadores e comparação social podem explicar a associação negativa com as redes sociais.

Os autores defendem que entender esses impactos pode orientar políticas e práticas de apoio à saúde mental de adultos mais velhos, incluindo intervenções direcionadas para melhorar a qualidade das interações digitais.

Orientação profissional

Especialistas em saúde mental ressaltam a importância de orientar hábitos digitais de forma equilibrada. Profissionais podem incentivar o uso da tecnologia para fortalecer vínculos sociais e autonomia digital, mas também identificar situações em que o ambiente virtual agrave a ansiedade.

Parcerias entre psicologia e tecnologia podem promover escolhas mais saudáveis, com ênfase em comunicações diretas e intencionais, como mensagens para amigos, videochamadas com familiares e participação em grupos com propósitos claros.

O estudo ressalta que o objetivo não é apenas estar conectado, mas sentir-se verdadeiramente conectado. A qualidade das relações digitais é apontada como determinante para o bem-estar mental na faixa etária analisada.

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