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Documentos mostram que escravizados usaram poupanças para comprar a alforria

Poupar para a alforria: documentos da USP revelam que escravizados, principalmente mulheres, utilizavam poupanças para comprar a própria liberdade

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  • Pesquisa da USP analisa registros do período escravocrata e aponta uso da poupança para formar pecúlio e comprar a própria liberdade; entre as 145 cadernetas consultadas, mais de 100 pertenciam a mulheres.
  • A Caixa Econômica do Império abriu contas para pessoas escravizadas ainda sem previsão legal específica, começando com 10 contas no primeiro dia de funcionamento.
  • A Lei do Ventre Livre, de 1871, reconheceu explicitamente o direito de escravizados acumularem pecúlio e usarem os recursos para a alforria, mesmo diante de resistências.
  • Margarida é citada como uma das primeiras mulheres escravizadas a abrir conta na Caixa, com a autorização do seu senhor, destacando o papel da instituição no estímulo à poupança entre segmentos populares.
  • As poupanças funcionavam como instrumento de controle social e, ao mesmo tempo, registravam recursos que poderiam levar à liberdade, com registros posteriores ganhando destaque na memória histórica e no debate sobre reparação.

Doa nota dos pesquisadores aponta que pessoas escravizadas usavam poupanças de bancos para formar pecúlio e, assim, comprar a própria liberdade. A investigação utiliza registros da Caixa Econômica do Império e documentos de arquivo para reconstruir esse movimento, especialmente entre mulheres.

A pesquisa analisa 145 cadernetas consultadas e verifica que a maioria pertence a mulheres. O estudo destaca Margarida, possivelmente uma das primeiras mulheres escravizadas a abrir uma conta na instituição, com anuência do seu senhor. A Caixa, criada para estimular poupança, abriu contas sob condições iniciais modestas.

O nascimento da poupança para escravizados

A Caixa Econômica funcionou em 1ª fase com depósitos simples, em sala emprestada pela Câmara dos Deputados. O depósito mínimo era baixo e muitos escravizados conseguiam poupar pouco ao longo dos anos, via ocupações diversas. A prática de manter pecúlio já era comum antes da lei.

Marco legal e estratégia de controle

Em 1871, a Lei do Ventre Livre reconheceu o direito de escravizados acumularem pecúlio para alforria, ainda que o senhor pudesse contestar. A pesquisadora Denise Reis aponta que a lei também buscava acalmar pressões abolicionistas e preservar a ordem pública, ao mesmo tempo em que autorizava a manumissão mediante pagamento.

Impacto e continuidade

Após 1871, as cadernetas passaram a registrar com mais rigor os recursos acumulados. As poupanças serviam para evitar tensões entre senhores, escravizados e o movimento abolicionista, funcionando como instrumento de autonomia econômica, mesmo que ainda sob o risco de repressão.

Protagonismo feminino

A partir de documentos bancários, processos judiciais e arquivos esquecidos, a pesquisa amplia o debate sobre memória e reparação histórica. O material revela o papel de mulheres na luta por liberdade, transformando economias pequenas em caminhos para a emancipação.

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