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Médicos relutam em ter conversa difícil com pacientes; por todos, é necessário falar

Estudo indica que lembretes para médico e paciente elevam conversas sobre prioridades de cuidado em câncer, mas ainda são pouco frequentes

‘Serious illness conversations don’t happen anywhere near as often as warranted,’ Ranjana Srivastava writes.
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  • Um estudo avaliou se dois “nudges” simples ajudam oncologistas e pacientes com mau prognóstico a ter conversas sobre cuidados avançados.
  • Os nudges foram: enviar uma carta ao paciente para estimular o tema e enviar um e‑mail ao médico antes da consulta; houve também um grupo com os dois.
  • Nas análises, quando apenas o paciente foi nudged, houve pouca mudança na documentação da conversa na seção específica de planejamento avançado (10%).
  • Ao nudgar o médico, e especialmente quando ambos médico e paciente foram nudged, as taxas de conversas documentadas aumentaram (28% e 32%, respectivamente, no prontuário completo).
  • As principais lições são: conversas sobre doença grave não ocorrem com a frequência necessária e costumam faltar documentação; treinar médicos e envolver pacientes juntos pode fazer a diferença, apesar das barreiras de tempo e cansaço.

O cuidado holístico para pacientes com doenças incuráveis precisa incluir conversas sobre morte e objetivos de tratamento. Cientistas investigaram como incentivar esse diálogo entre oncologistas e pacientes com mau prognóstico.

O estudo avaliou duas “nudges” simples: enviar uma carta ao paciente para estimular reflexão sobre o tema e avisar o oncologista por e-mail de que a conversa pode ser necessária. Quatro grupos foram formados: nenhum estímulo, apenas carta, apenas médico, e ambos.

As conversas registradas foram verificadas de duas formas: na seção dedicada ao planejamento antecipado de cuidados e no registro médico completo. Na primeira, a carta não alterou os números; 10% tinham conversa documentada em todos os grupos, incluindo controle. Com a sugestão ao médico, esse percentual subiu para 16% e, com ambos, chegou a 17%.

Ao analisar todo o prontuário, os resultados foram mais expressivos. Controle e pacientes apenas com carta apresentaram 22% de conversas registradas. Apenas o médico elevou para 28% e, com ambos, atingiu 32%.

Entre as conclusões do estudo, destaca-se que as conversas sobre doenças graves são menos frequentes do que deveriam, mesmo quando identificadas como importantes. Além disso, a documentação dessas conversas costuma ser insuficiente, o que prejudica a continuidade do cuidado em emergências.

Os autores ressaltam que orientar pacientes a ter essas conversas não funciona sozinho. A combinação de lembretes para médicos e pacientes mostrou maior eficácia na necessidade de alinhamento de objetivos de cuidado.

Barreiras identificadas incluem falta de treinamento adequado em comunicação, tempo limitado nas consultas e desgaste profissional. Também foi apontada a necessidade de sistemas que facilitem o registro dessas discussões em prontuários.

O estudo sugere que mudanças organizacionais, com estímulos coordenados entre equipes clínicas e pacientes, podem melhorar a qualidade do planejamento de cuidados e reduzir custos desnecessários no sistema de saúde, sem perder de vista o bem-estar do paciente.

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