- O Reino Unido lança a maior campanha para economizar água, chamada Let’s Save Water, com orçamento de £75 milhões, visando reduzir o consumo diário médio em 28 litros por pessoa.
- A meta é diminuir o uso de cerca de 140 litros para 112 litros por dia, com financiamento das próprias companhias de água ao longo de quatro anos, em parceria com reguladores e agências ambientais.
- Estudos indicam que o consumo percebido pela população é subestimado; na prática, a média na Inglaterra e no País de Gales é superior a 140 litros por dia, quase 17% acima de outros países europeus.
- Mudanças sugeridas incluem banhos mais curtos, uso de barris para água da chuva e conserto de torneiras; chuveiros economizadores podem reduzir o gasto em até 50%.
- Há dúvidas sobre a eficácia diante da baixa confiança nas operadoras de água, com vazamentos representando 19% da demanda e sem novos reservatórios nas últimas décadas, gerando debates sobre planos nacionais e responsabilidade das empresas.
O Reino Unido lançará a maior campanha de sua história para reduzir o consumo de água, diante de uma onda de calor que se intensificou com a crise climática. Com orçamento de 75 milhões de libras, a iniciativa chamada Lets Save Water pretende reduzir o consumo diário médio em 28 litros por pessoa, partindo de uma média de cerca de 140 litros.
A campanha é fruto de uma parceria entre empresas de saneamento, o regulador Ofwat, a Agência de Meio Ambiente, o Met Office e a Natural Resources Wales. O financiamento ocorrerá ao longo de quatro anos, financiado pelas próprias companhias de água.
Ações, metas e contexto
A média de uso de água na Inglaterra e no País de Gales é uma das mais altas da Europa, superando em quase 17% a de países como Alemanha e Holanda, que ficam em torno de 120 litros diários por indivíduo. Uma equipe de psicólogos comportamentais assessora o desenho da campanha para tornar a água um recurso mais valorizado.
Pesquisas da campanha indicam que muitos cidadãos subestimam seu consumo, estimando usar cerca de 30 litros diários quando a realidade fica em torno de 140 litros. O cenário é agravam com projeções de que a escassez de água pode chegar a 5 bilhões de litros por dia até 2055, devido à mudança climática, ao crescimento populacional e a setores intensivos no uso, como data centers.
Mudanças de hábitos e mecanismos propostos
Entre as medidas sugeridas estão banhos mais curtos, uso de barris para captação de água de chuva e conserto de torneiras com vazamento. A troca para chuveiros com economia pode reduzir o consumo em até 50%, refletindo também na conta de energia.
Especialistas indicam que mudanças pontuais, como aparelhos mais eficientes, tendem a ser mais fáceis de adoção do que hábitos enraizados. Uma sugestão é incorporar dados de medidores inteligentes em tempo real para orientar os residentes sobre ações a tomar.
Desafios de confiança e infraestrutura
Os responsáveis pela campanha reconhecem o desafio de convencer a população em meio a questionamentos sobre a atuação de companhias de saneamento, especialmente após episódios de poluição, falhas de abastecimento e elevados endividamentos de algumas concessionárias. Vazamentos respondem por uma parcela significativa da demanda hídrica, e nenhum reservatório novo foi construído nas últimas três décadas.
No plano de longo prazo, o setor projeta investir cerca de 104 bilhões de libras para erguer dez novos reservatórios nos próximos cinco anos. Em paralelo, críticas apontam que a gestão do setor deveria envolver maior responsabilização de poluidores e empresas de água, com um plano nacional de emergência financiado.
Visão de especialistas e autoridades
Especialistas destacam que a confiança pública é essencial para o sucesso de campanhas de consumo consciente. A liderança de órgãos como o Met Office ressalta que padrões climáticos extremos incluem verões mais secos e chuvas mais intensas, o que eleva a importância de medidas eficazes de gestão de água.
Apoio de organizações da sociedade civil é visto como positivo para ampliar a adesão, mas a coordenação entre mensagens das empresas e ações concretas é considerada crucial para traduzir o discurso em mudanças reais no comportamento diário.
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