- A mostra “Chão Ancestral”, com 35 imagens de Walisson Braga e dos amigos Luiz Alves e Webert da Cruz, está em Brasília, na Rodoviária do Plano Piloto, como parte do Festival Latinidades.
- A exposição celebra os 280 anos do Quilombo Mesquita, destacando a resistência especialmente das mulheres, entre elas a matriarca Elpídia Pereira.
- O território abriga pelo menos 785 famílias, mais de três mil pessoas, numa área de cerrado protegida e de importância cultural para a comunidade.
- Em dezembro, o Incra reconheceu que a área total do território é de 4,1 mil hectares, 80% maior do que a ocupação atual, com demarcação definitiva esperada até o fim do ano.
- A mostra ressalta a preservação de saberes e da cultura local, como a plantação de marmelo, que resulta em marmelada e geleia, símbolos da tradição comunitária.
Desde a adolescência, Walisson Braga registrou a vida da comunidade quilombola Mesquita, em Cidade Ocidental (GO). Hoje, aos 29 anos, ele vê na fotografia uma forma de resistência de um território ainda não titularizado. A mostra chega a Brasília nesta semana.
A exposição intitulada Chão Ancestral reúne 35 imagens assinadas por Walisson, Luiz Alves e Webert da Cruz. O local escolhido é a Rodoviária do Plano Piloto, ponto de passagem diário do autor para a universidade.
Walisson comenta que a mostra associa memória e luta do povo quilombola, com foco na preservação de saberes transmitidos principalmente pelas mulheres. Entre elas está a avó Elpídia Pereira, matriarca da comunidade.
O território Mesquita abriga pelo menos 785 famílias, acima de três mil pessoas, em área de cerrado. Em dezembro, o Incra reconheceu o potencial de demarcação de 4,1 mil hectares, 80% maior que a área atual, com previsão de conclusão ainda neste ano.
Segundo a liderança Sandra Braga, a ausência de titulação facilita ocupação de terras por fazendeiros da soja. A resistência comunitária se expressa até na prática tradicional do marmelo, que gera marmelada e geleia.
A mostra integra o Festival Latinidades, evento que reúne mulheres negras na articulação de políticas culturais. Nesta edição, há foco na saúde mental na produção cultural.
Sobre o Festival Latinidades
Ainda nesta quinta, às 20h, o Museu Nacional da República recebe o Festival Humor Negro. A programação segue com debates sobre arte e saúde mental envolvendo artistas de destaque.
Na sexta, discussões com as artistas Linn da Quebrada e Karol Conká devem ocorrer no mesmo espaço, com mediação de Val Benvindo. O objetivo é ampliar o diálogo entre arte, saúde mental e sociedade.
Outras atividades incluem o lançamento do programa Descansa Nêga, do Fundo Agbara, reunindo viagens, descanso e memórias afetivas para comunidade e público.
O Latinidades encerra com uma palestra da escritora Ana Maria Gonçalves, membro da Academia Brasileira de Letras e autora de Um Defeito de Cor, promovida pela Universidade Afrolatinas.
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