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Aos 100 anos, Jô Clemente analisa inclusão de pessoas com deficiência intelectual

Aos cem anos, Dona Jô Clemente celebra o legado de inclusão de pessoas com deficiência no Brasil e o impacto de sua mobilização na saúde pública

Jô Clemente fundou a Apae em 1961, que mudou de nome em 2019; hoje, a instituição realiza mais de 330 mil atendimentos anuais
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  • Dona Jô Clemente, fundadora da Apae de São Paulo em 1961, hoje batizada Instituto Jô Clemente (IJC) em sua homenagem, completou cem anos.
  • A instituição realiza mais de 330 mil atendimentos por ano para pessoas com deficiência intelectual, transtorno do espectro autista e doenças raras, com avaliação, diagnóstico e terapias.
  • Em 1976, o Teste do Pezinho foi introduzido no Brasil após a atuação de médicos convidados pela então família Clemente, ampliando o diagnóstico precoce de doenças raras.
  • O IJC. tornou-se o maior laboratório de triagem neonatal do país, credenciado pelo Ministério da Saúde e responsável por 100% dos exames na cidade de São Paulo e por quase setenta por cento no estado.
  • Ao longo da vida, Jô Clemente também incentivou a educação inclusiva, a inserção no mercado de trabalho e a assessoria jurídica para pessoas com deficiência, contribuindo para mudanças em políticas públicas e na percepção social sobre o tema.

Jô Clemente, líder social e pioneira da defesa dos direitos das pessoas com deficiência intelectual, completou 100 anos no último mês. Fundadora do que hoje é o Instituto Jô Clemente (IJC), antiga Apae de São Paulo, ela transformou a saúde pública e mobilizou uma rede de atendimento para milhares de famílias.

Desde a década de 1960, ao enfrentar o diagnóstico de Síndrome de Down do filho Zequinha, Dona Jô mobilizou pais, profissionais e órgãos para construir uma rede de apoio. A organização nasceu em 1961 e, desde 2019, leva o seu nome em respeito à trajetória construída.

Hoje, o IJC realiza mais de 330 mil atendimentos por ano a pessoas com deficiência intelectual, TEA e doenças raras. O trabalho envolve avaliação, diagnóstico e terapias, com atendimentos que podem ocorrer gratuitamente via SUS, por convênios ou de forma particular.

A instituição atua também na educação inclusiva, na inserção no mercado de trabalho e na assessoria jurídica. Dona Jô destaca que cada família acolhida reforça a convicção de que o caminho é construir direitos humanos por meio da inclusão.

A trajetória levou à implementação do Teste do Pezinho no Brasil, a partir de 1976, quando o médico Benjamin Schmidt ajudou a trazer a triagem neonatal para o país a pedido do marido de Dona Jô. A iniciativa permitiu diagnóstico precoce de doenças, reduzindo sequelas graves.

Ao longo de cinco décadas, a triagem neonatal já alcançou mais de 19 milhões de recém-nascidos, contribuindo para prevenir danos irreversíveis. O laboratório do IJC hoje é o maior do Brasil em volume de triagem e responde pela análise de todos os exames em São Paulo e grande parte do estado.

O legado de Dona Jô inclui a liderança institucional. Entre 2000 e 2005, atuou como presidente do IJC, consolidando ações de inclusão e expandindo serviços para outros estados e comunidades.

Em entrevista à Forbes Brasil, Dona Jô reforça que as mudanças são resultado de ações contínuas. Hoje observa mais pessoas com deficiência ocupando espaços de cidadania e afirma que ainda há avanços a alcançar, especialmente na percepção social e no acolhimento familiar.

A versão atual de Dona Jô é marcada por 100 anos de vida, com foco em continuidade de ações e desenvolvimento social. Ela mantém a visão de um Brasil onde a diversidade é natural e onde nenhuma criança precisa provar sua capacidade para merecer apoio.

Além do trabalho, Dona Jô relembra memórias significativas, principalmente o convívio com Zequinha, que morreu em 2001 aos 52 anos. A experiência cotidiana mostrou que as barreiras são impostas pela sociedade, não pelas pessoas com deficiência.

Sobre seu papel pessoal, Dona Jô se define como mãe, esposa, captadora de recursos e trabalhadora em prol de vínculos familiares. Também revela paixões pela arte, literatura e música, áreas em que buscou expressão ao longo da vida.

Ao mirar o futuro, Dona Jô afirma que o objetivo é manter portas abertas, conquistando pertencimento, respeito e oportunidades para pessoas com deficiência. O legado que pretende deixar é a construção de caminhos que vão além das conquistas institucionais.

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