- A Polícia Federal prendeu o pastor Márcio Poncio na quinta fase da Operação Unha e Carne, investigado por ligação com a Máfia do Cigarro chefiada por Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
- Conversas da Polícia Civil do Rio indicam que cigarros ligados a Poncio teriam passe livre nas áreas dominadas por Adilsinho, com concorrência entre marcas sendo tolerada.
- Em 2022, um áudio de um operador de Adilsinho mencionou a disputa de preço com o pastor, sugerindo que haveria tentativas de prejudicar Poncio com produtos de outros fabricantes.
- Em 2023, houve preocupação com a expansão da marca R8 na Zona Oeste; houve negociações para impedir a entrada da concorrência com a compra de cigarros de Adilsinho a preços menores e, eventualmente, a colocação de modelos de cigarros “amarelos”. O áudio indicava que a quadrilha não vendia cigarros amarelos, associados ao pastor.
- Também foi citada a participação de Charles Guilherme Costa de Vasconcellos, apontado como laranja de Poncio e operador de Adilsinho; Vasconcellos foi preso na Operação Libertatis 2 e é ligado à Comercial 8, distribuidora dos cigarros ilegais.
O pastor Márcio Poncio foi preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal durante a quinta fase da Operação Unha e Carne. A ação mira uma quadrilha ligada ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, que atua no comércio de cigarros ilegais no Rio de Janeiro.
Conforme as investigações, as conversas obtidas pela Polícia Civil do Rio, por meio de quebras de sigilo de integrantes da Máfia do Cigarro, apontam que os cigarros ligados a Poncio teriam passe livre em áreas dominadas por Adilsinho. O alvos são as regiões sob o controle do grupo.
Em áudio de outubro de 2022, o sargento Daniel Figueiredo Maia relata que a quadrilha planejava tabelar preços e cita o pastor como concorrente com fábrica própria. A troca sugere que a empresa de Poncio seria alvo de deslocamentos de preço para competir.
Segundo a PF, marcas não integrantes do esquema sofrem apreensão e retaliação quando tentam atuar nas lojas da cidade. Já, quando os produtos ligados a Poncio aparecem, a concorrência parece ser tolerada pela rede criminosa.
Em março de 2023, outra mensagem aponta a tentativa de expansão da marca R8 pela Zona Oeste, com preocupação de como conter a entrada dessa linha de cigarros. A resposta indica estratégia de uso de outras marcas para pressionar o novo fornecedor.
Em junho, o principal distribuidor da marca R8 foi assassinado com mais de 30 tiros, fato ligado aos desdobramentos da investigação. A Câmara aponta que o policial envolvido na elucidação foi denunciado pelo homicídio, segundo apurações paralelas.
A prisão de Poncio ocorreu em um flat no Gran Hyatt, na Barra da Tijuca, área da Zona Oeste do Rio. Um elo societário entre Adilsinho e Poncio já havia sido indicado pela investigação, com um laranja ligado ao pastor atuando como operador da quadrilha.
Conexões empresariais
Charles Guilherme Costa de Vasconcellos, apontado como laranja de Poncio, também é alvo da operação. Ele seria sócio da Comercial 8, empresa ligada à distribuição dos cigarros ilegais do grupo. Vasconcellos já era conhecido pela Justiça por relação com o pastor em ações fiscais envolvendo o grupo empresarial.
A PF segue apurando ligações entre as redes de Poncio e Adilsinho, bem como o fluxo de produtos e o esquema de distribuição. As autoridades não detalham novas acusações formais neste momento. As informações são apuradas para esclarecer responsabilidades no esquema de contrabando.
Entre na conversa da comunidade