- Três meses antes da morte de Maria Eduarda, uma criança sofreu escoriações e leve batida na cabeça during uma atividade interna da empresa Entre Cordas, em março de 2026, após a corda ser liberada antes da hora durante gravação de vídeos.
- O pai da criança deixou a participação na equipe após o acidente; testemunhas indicam que houve pedido para não divulgar o vídeo por medo da repercussão.
- A organizadora Evelyne dos Santos Gonçalves teria dito que a criança “era para ficar famosa” e ganhar muitos seguidores; uma ex-integrante afirmou ter se afastado por causa da ambição de mídia.
- A polícia aponta que os organizadores assumiram conscientemente o risco, contribuindo para a morte de Maria Eduarda; Evelyne foi indiciada por homicídio qualificado e fraude processual, com prisão temporária convertida em preventiva.
- No caso de Maria Eduarda, a jovem foi lançada de cerca de quarenta metros sem equipamentos de segurança; a empresa não tinha autorização para operar na ponte, e a polícia continua apurando o paradeiro da câmera usada na ocorrência.
O segundo inquérito da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Farias aponta que, três meses antes do trágico arremesso da jovem durante uma atividade de rope jump, uma criança já havia se acidentado com a mesma empresa. O caso ocorreu em março de 2026, na ocasião em que a equipe Entre Cordas gravava vídeos para redes sociais após o atendimento ao público.
Durante a atividade interna, um dos instrutores liberou a corda da criança antes da hora, ainda que o movimento estivesse instável. O menino sofreu escoriações nos joelhos e relatou uma leve batida na cabeça, segundo o inquérito concluído pela Polícia Civil nesta quarta-feira (1º). O pai da criança interrompeu a participação dele nas atividades da empresa.
Testemunhas relataram pressões para que o acidente não fosse divulgado ou registrado, e áudios indicam que a organizadora Evelyne dos Santos Gonçalves mencionou possível notoriedade futura para a criança. Uma ex-integrante afirmou ter deixado o grupo por divergências com a gestão e ambições midiáticas.
Histórico do caso e desdobramentos
Com esse acidente anterior, a polícia concluiu que os organizadores tinham ciência dos riscos e teriam agido com descaso, o que contribuiu para a morte de Maria Eduarda em 13 de junho de 2026, quando foi arremessada de uma ponte sem uso de equipamento de segurança. Em imagens gravadas no momento, é possível ouvir vozes que demonstram a ausência de proteção.
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) informou que a empresa não possuía autorização para atividades esportivas na Ponte do Esqueleto. O governo federal avaliou a demolição da estrutura e, em reunião com representantes do MGI, governos municipais sinalizaram apoio a medidas para restringir o acesso.
Situação processual atual
Três suspeitos foram indiciados por homicídio no primeiro inquérito, por atuarem diretamente no arremesso. Evelyne dos Santos Gonçalves foi indiciada por homicídio qualificado (dolo eventual) e fraude processual, havendo pedido de conversão de sua prisão temporária para preventiva. Ela permanece presa.
O inquérito continua para apurar o paradeiro da câmera utilizada pela vítima. A defesa de Vitor de Freitas Gonçalves foi constituída, com informações de que a atuação jurídica busca assegurar o contraditório e a ampla defesa, enquanto as investigações seguem em andamento.
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