- O IBGE, com a PEERS, estimou 6,33 milhões de moradores nas áreas mais atingidas e 2,33 milhões de domicílios nessas regiões do Rio Grande do Sul.
- 88% dos domicílios registraram alguma ocorrência ligada às enchentes; 66,3% tiveram água ou energia elétrica interrompidas.
- 11,7% das moradias foram destruídas ou muito danificadas; 14,6% dos moradores mudaram de endereço (aproximadamente 922.233 pessoas).
- O bem-estar mental foi amplamente afetado: 67,5% relataram saúde mental abalada; quedas na vida social (58,4%) e deslocamentos difíceis (57,3%).
- Na educação, 78,9% dos estudantes interromperam a frequência, com 94,8% já tendo retomado os estudos na fase de coleta.
O IBGE revela a dimensão das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, apontando impactos duradouros em moradia, renda e saúde. A pesquisa PEERS abrange 133 municípios e usa entrevistas domiciliares com dados socioeconômicos para mapear os danos.
O estudo estima que 6,33 milhões de gaúchos viveram em áreas de maior efeito das cheias, em domicílios que somam 2,33 milhões de unidades afetadas. A coleta ocorreu entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, como parte de uma força-tarefa do IBGE.
88% dos domicílios registraram ocorrências relacionadas às enchentes, e 66,3% foram atingidos na água e na energia. Esses números apontam para interrupções generalizadas de serviços essenciais durante o desastre.
Infraestrutura e impacto imediato nas casas
68,7% dos domicílios relataram impactos no bairro ou nas vias próximas, com ruas e rodovias danificadas ou interditadas. Mais da metade sofreu danos diretos nas residências, com 55,5% relatando avarias na estrutura.
11,7% das moradias foram classificadas como destruídas ou muito danificadas, equivalendo a 81.272 unidades destruídas e 190.253 muito danificadas. A mudança de endereço atingiu 14,6% dos moradores, ou 922.233 pessoas.
Entre os deslocados, 37,9% disseram ter deixado o lar por causa das enchentes. Famílias de menor renda foram mais impactadas, com 28,3% de deslocados em domicílios com renda até 2 mil reais.
Saúde mental e efeitos sociais
A pesquisa aponta impactos amplos na saúde mental: 67,5% dos entrevistados citaram abalo emocional. Além disso, 58,4% relataram interrupção na vida social e convivência com familiares e amigos.
O deslocamento também dificultou deslocamentos para trabalho, escola ou creche, com 57,3% mencionando atrasos ou mudanças na rotina. Antes do desastre, 58,3% estavam no mercado de trabalho; durante, 56,4% interromperam atividades.
No período de manejo da crise, a ocupação voltou próximo do nível pré-enchente, com 3.036 milhões de pessoas empregadas, frente a 3.044 milhões antes do evento. Cerca de 66,8% da população ganhava até 5 mil reais mensais.
Educação e interrupção escolar
Entre 1,696 milhão de estudantes registrados em abril de 2024, 78,9% interromperam a frequência escolar durante as enchentes, com 94,8% já retomando os estudos na coleta. Auxílio financeiro foi recebido por 484 mil domicílios entre abril e maio de 2024.
Ao todo, 652 mil domicílios ficaram inacessíveis, elevando a necessidade de resgates, majoritariamente por transporte aquático (70%) e voluntários (74,9%). A qualidade de serviços públicos também mostrou variação, com piora em saúde e saneamento.
Diferenças regionais
A pesquisa cobriu seis regiões intermediárias, com Porto Alegre concentrando cerca de 59% dos domicílios estudados. Na região metropolitana, 55% sofreram danos estruturais, incluindo 5,1% com destruição e 10,9% muito danificados.
Em várias áreas, mais de 70% dos moradores relataram impactos nos bairros, com destaque para Santa Cruz do Sul, Lajeado, Porto Alegre, Uruguaiana, Ijuí e Passo Fundo. O levantamento aponta desigualdades na intensidade dos impactos.
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