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Irã condena oito conservacionistas acusados de espionagem

Oito conservacionistas iranianos, ligados à Persian Wildlife Heritage Foundation, foram condenados por espionagem; as penas vão de quatro a dez anos

A landscape in the Turkmen Sahra region of northeastern Iran. Image by Alireza Javaheri via Wikimedia Commons (CC BY 3.0).
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  • Em Teerã, oito conservacionistas da Persian Wildlife Heritage Foundation foram condenados por espionagem, recebendo penas entre quatro e dez anos de prisão.
  • Morad Tahbaz e Niloufar Bayani pegaram dez anos; Houman Jowkar e Taher Ghadirian ganharam oito anos; Sepideh Kashani, Amirhossein Khaleghi Hamidi e Sam Radjabi levaram seis; Abdolreza Kouhpayeh, quatro.
  • Os réus estão presos desde janeiro de 2018; Kavous Seyed-Emami, ex-diretor da ONG, morreu no presídio no mês seguinte; autoridades alegaram suicídio.
  • Quatro acusações de “sow­ing corruption on earth” foram retiradas; a sentença final foi de “colaboração com o estado inimigo dos Estados Unidos”.
  • A decisão ocorreu durante um apagão de internet; há prazo de até vinte dias para recurso; a comunidade internacional de direitos humanos e conservação reagiu com críticas.

Dois e-mails de denúncia e o caso de espionagem envolvendo conservacionistas iranianos chegam a Tehran. Na semana passada, um tribunal proferiu sentenças de quatro a dez anos aos oito defensores, ligados à Persian Wildlife Heritage Foundation (PWHF). A organização atua pela proteção da chita asiática e de outras espécies.

Os condenados são Morad Tahbaz, fundador da PWHF, e Niloufar Bayani, diretora de programa, com 10 anos cada. Houman Jowkar, pesquisador de cheetas, e Taher Ghadirian, biólogo, foram sentenciados a oito anos. Sepideh Kashani, Amirhossein Khaleghi Hamidi e Sam Radjabi receberam seis anos. Abdolreza Kouhpayeh, também conservationista, pegou quatro anos.

Desde janeiro de 2018, os oito permanecem presos, assim como Kavous Seyed-Emami, ex-diretor-gerente voluntário da PWHF, que morreu no mês seguinte na prisão de Evin. Autoridades iranianas alegaram suicídio; a família não teve acesso a uma investigação independente.

Sentenças

Quatro integrantes enfrentaram inicialmente acusações de “sinar corrupção na terra”, com pena máxima prevista, mas tais acusações foram retiradas em outubro. A acusação final mencionou “colaboração com o estado inimigo dos Estados Unidos”, relacionada a uso de armadilhas fotográficas para espionagem.

As sentenças foram anunciadas entre 20 e 23 de novembro, em meio a um corte de internet e protestos no país, provocados pelo aumento de preços de combustíveis. Segundo o Centro de Direitos Humanos no Irã, as condenações foram comunicadas verbalmente, não por escrito.

Familiares próximos, que pediram anonimato, disseram que a reação dos conservacionistas foi de desespero, mas também de determinação. Eles apontaram que há prazo de 20 dias para recursos. Observadores veem o veredito como sinal de endurecimento político.

Reações internacionais

Grupos de direitos humanos e conservação criticaram o caso. A Wildlife Conservation Society e a Human Rights Watch destacaram falhas no devido processo e pediram clemência. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente também expressou preocupação.

O veredito também suscitou debates sobre a relação entre PWHF e Panthera, organização de grande expressão no exterior. Não há provas públicas de espionagem, mas o tema gerou críticas sobre o uso de câmeras de vigilância na vida selvagem.

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