- A retirada russa de áreas ao redor de Kiev expõe cadáveres de civis e de soldados em Bucha, a 37 quilômetros da capital, com centenas de muertos na ocupação.
- A AFP registrou pelo menos vinte corpos numa única rua, e o prefeito Anatóli Fedoruk disse que cerca de 300 moradores foram mortos em um mês, com pelo menos 280 enterrados em valas comuns.
- A Reuters viu mãos e pés de vítimas numa vala aberta perto de uma igreja; a AP também confirmou vítimas civis ao longo de estradas e no quintal de uma casa.
- Autoridades estrangeiras reagiram: a secretária britânica de Relações Exteriores, Liz Truss, pediu investigação do Tribunal Penal Internacional; a Rússia nega crimes de guerra.
- Enquanto isso, a Ucrânia anunciou a libertação de mais de 30 cidades ao redor de Kiev, Zelensky afirmou que o território está minado e que há risco catastrófico, com explosivos encontrados em Dmytrivka.
À medida que as forças ucranianas avançam para retomar áreas ao redor de Kiev, surgem relatos de violência em Bucha, subúrbio a 37 quilômetros da capital. Autoridades locais indicam que dezenas de civis e militares russos teriam sido mortos em confrontos ou execuções durante a ocupação.
A AFP registrou, em uma única rua de Bucha, pelo menos 20 corpos, com o prefeito Anatoly Fedoruk estimando que cerca de 300 moradores foram mortos em um mês de ocupação. Ao todo, pelo menos 280 deles estariam enterrados em valas comuns na cidade.
Relatos de jornalistas da Reuters mostraram mãos e pés de vítimas emergindo de uma vala próxima a uma igreja, enquanto a AP documentou civis mortos em uma estrada e no quintal de uma casa. Moradores afirmam que as ações ocorreram durante a retirada russa. Em Bucha, um morador relatou que civis caminhavam quando foram alvejados sem motivo.
Imagens amplamente compartilhadas nas redes acentuaram o choque internacional. A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, expressou horrorização e pediu investigação de crimes de guerra ao Tribunal Penal Internacional. Moscou negou ter feito ataques contra civis e rejeitou as acusações.
Liberação de cidades ao redor de Kiev
Autoridades ucranianas anunciaram que mais de 30 cidades e vilarejos próximos a Kiev foram libertados, marcando o controle da região pela primeira vez em semanas desde a invasão ordenada pelo presidente Vladimir Putin. A vice-ministra da Defesa, Ganna Maliar, informou que Irpin, Bucha, Gostomel e toda a região de Kiev foram liberadas.
Apesar da liberação, as áreas permanecem devastadas ou severamente danificadas pelos combates. Em vídeo, o presidente Volodymyr Zelensky alertou sobre minas e equipamentos deixados no território, bem como sobre cadáveres ainda expostos. Segundo o governo, isso visa evitar novas vítimas e manter a segurança local.
O serviço de emergência informou ter encontrado mais de 1.500 explosivos em um único dia na localidade de Dmytrivka, a oeste de Kiev, durante buscas de continuidade de danos. A notícia reforça a avaliação de risco na região liberada para moradia e reconstrução.
Retirada e negociações
Em resposta à retirada de áreas do norte, as forças russas concentram operações no leste e sul da Ucrânia, onde ocupam grandes regiões. Analistas destacam que a Rússia busca uma mudança de estratégia, retendo equipamentos pesados para sustentar defesa nessas frentes.
Especialistas citados pelas assessorias apontam que a retirada é apresentada pela Rússia como gesto de boa vontade para negociações de paz. Ambos os lados reconheceram dificuldades nas negociações ocorridas no fim de março, em Istambul. Um porta-voz do Kremlin ressaltou a continuidade das conversas, sem anunciar nova rodada formal. Um negociador ucraniano indicou que houve avanços para um diálogo direto entre Zelenski e Putin. O Kremlin não se manifestou sobre esse ponto.
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