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Aumento dos preços da habitação leva brasileiros a morar em barracas em Portugal

Disparada de preços da habitação leva dezenas de brasileiros a acampar em terreno baldio na Quinta dos Ingleses, em Carcavelos, na grande Lisboa

Andreia Costa, 49, posa em barraca montada em terreno baldio arborizado em frente à praia de Carcavelos, na grande Lisboa
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  • A escalada dos preços de moradia em Portugal levou imigrantes brasileiros a viverem em barracas em um terreno baldio próximo à praia de Carcavelos, na Grande Lisboa.
  • No local, há pelo menos vinte brasileiros entre moradores recentes e antigos, com muitos vivendo em tendas plásticas; Andréia Costa, 49, relata ter migrado após aluguel subir de quarenta por cento.
  • As pessoas convivem sem eletricidade nem água encanada, dependem da solidariedade de clientes de faxina e moldam o acampamento para economizar e sonham com um motorhome e com investimentos em marmitas e carpintaria.
  • A área, conhecida como Quinta dos Ingleses, abriga disputas legais sobre o uso do terreno de cinquenta hectares, com associações pedindo a transformação do espaço em parque natural público; enquanto isso, um projeto de luxo permanece travado.
  • O contexto nacional mostra Lisboa como epicentro de inflação imobiliária na Europa, com alta de preços desde 2015 e aluguel em média próximo de quarenta e três por cento; o cenário aumenta a vulnerabilidade de migrantes em situação de moradia precária.

Em meio à escalada de preços de aluguel e compra de imóveis em Portugal, dezenas de imigrantes brasileiros passaram a viver em barracas em Carcavelos, na grande Lisboa. O acampamento improvisado fica em um terreno baldio arborizado em frente a uma praia, próximo a uma escola de elite da região. A ocupação ganhou visibilidade nos últimos meses.

Entre os moradores, há pelo menos 20 brasileiros. Muitos vivem em tendas plásticas; alguns ficam em antigo motorhome. A paulistana Andreia Costa, 49, chegou ao local há cerca de três meses após enfrentar reajustes abusivos de aluguel em moradia temporária.

Andreia relata que saiu de uma casa compartilhada com aumento progressivo de aluguel e decidiu buscar outra solução para economizar. No acampamento, ela reúne renda com faxinas e venda de marmitas, e planeja ficar cinco meses para conseguir investir em autocaravana e ampliar a atividade.

Márcia Álvaro, 43, também brasileira, chegou ao acampamento após saber da experiência de Andreia. Ela reside no local há pouco mais de seis meses e utiliza a cozinha improvisada para preparar refeições. A moradora afirmou que a situação financeira não permitia manter um quarto alugado.

As duas ressaltam que não pretendem retornar ao Brasil. Elas mencionam, ainda, que a região oferece maior liberdade de deslocamento e poder de compra, mesmo com salários mais baixos. O acampamento fica na Quinta dos Ingleses, área de grande valorização.

Contexto imobiliário e desdobramentos

O terreno de 50 hectares onde fica o acampamento está envolto em questões legais que impedem a construção de um complexo de apartamentos e lojas de luxo. Associações locais defendem a transformação do espaço em parque natural público, enquanto autoridades sociais acompanham a situação.

Dados internacionais apontam valorização imobiliária em Portugal. O FMI aponta que o país registrou encarecimento de imóveis nos últimos anos, com Lisboa liderando várias métricas de inflação habitacional. Um estudo da Savills indica alta média de 43% na capital desde dezembro de 2021.

Segundo a Idealista, em julho o metro quadrado de aluguel em Lisboa girava em torno de € 18,70, aproximando o aluguel de um apartamento de 40 m² do salário mínimo. O cenário de inflação e crescimento de custos de vida agrava a dificuldade de planejamento para imigrantes com recursos limitados.

Incêndios recentes no centro de Lisboa trouxeram atenção para as precárias condições de moradia de migrantes, com casos de ocupações irregulares que resultaram em vítimas. Em fevereiro, incêndio em um espaço comercial usado como moradia deixou mortos e feridos.

O Observatório Social de Portugal aponta que muitos imigrantes enfrentam barreiras para acessar apoios oficiais de habitação, especialmente quem está em situação migratória irregular ou não domina o idioma. Especialistas ressaltam a necessidade de políticas públicas mais acessíveis e inclusivas.

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