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Fort Mose, a primeira cidade negra livre nos EUA

Fort Mose surge como a primeira vila livre de afrodescendentes legalmente sancionada, abrindo caminho para a liberdade e influenciando os direitos civis nos EUA

Sign of Fort Mose that reads Walkway to Freedom
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  • Em outubro de 1687, uma canoa com dez fugitivos negros chegou a St. Augustine, na Flórida espanhola, buscando proteção e conversão ao catolicismo.
  • A chegada deu início a Fort Mose, considerado o primeiro assentamento de negros livres legalmente sancionado nos Estados Unidos, com dezenas de homens e suas famílias.
  • O forte foi construído próximo a St. Augustine em 1738, sob o governo espanhol, com Francisco Menéndez atuando como líder de fato da milícia afrodescendente.
  • Dois anos após a construção, os britânicos atacaram e destruíram Fort Mose; 16 dias depois, a Batalha de Bloody Mose foi vencida pelos afrodescendentes e guerreiros Yamasee.
  • Hoje, Fort Mose e o bairro Lincolnville preservam a memória da presença negra livre na cidade, que também teve papel central no movimento dos direitos civis, com museus e roteiros históricos.

Fort Mose fica em um período de transição na Flórida colonial. Em outubro de 1687, uma canoa de fundo chato aportou em St. Augustine, então estabelecimento espanhol na Flórida, hoje a cidade contínua mais antiga do continente. Nela viajaram oito homens e duas mulheres, uma carregando um bebê. Eles eram fugitivos negros que escaparam de escravidão nas Carolinas britânicas para buscar liberdade.

Ao descerem, procuraram o governador de St. Augustine para solicitar proteção e, se possível, a conversão ao catolicismo. A expectativa era de que a cidade, sob domínio espanhol, oferecesse asilo religioso e liberdade a quem aceitasse a fé católica. Outros africanos escravizados da Geórgia e das Carolinas logo seguiram esse caminho sul em direção ao abrigo espanhol.

A jornada era longa e arriscada, atravessando pântanos e águas costeiras cheias de perigos. Algaz ambientes hostis, como quimilos de aligatores e serpentes, aumentavam as dificuldades, além de perseguições de capturadores de escravos. Em tempos, até povos Yamassee cooperaram, criando uma antecessora rede de fuga rumo ao sul.

Fort Mose: a fundação e o espaço de liberdade

Os 10 viajantes a bordo da canoa foram os primeiros que buscaram refúgio religioso em St. Augustine, inaugurando um núcleo que, ao longo de 76 anos, consolidou-se como vila de pessoas livres de origem negra. A configuração espanholas permitia direitos sob o código castelhano, entre eles a possibilidade de liberdade via serviço militar ou conversão religiosa, além de proteção para a família.

Na prática, o forte Fort Mose tornou-se a base de uma comunidade que ajudou a erigir as primeiras estruturas da fortificação e da vila. Os habitantes envolvidos formaram uma milícia sob comando de líderes negros, notadamente o homem que emergiu como capitão de fato, após a fuga de uma plantação no sul.

O enclave foi posteriormente atacado pelos britânicos, levando à destruição do forte. Em seguida, moradores negros lideraram uma ofensiva relâmpago ao lado de aliados Yamasee, derrotando as forças invasoras em um episódio conhecido na memória local. Mesmo com o fim do forte, muitos retornaram a St. Augustine, integrando-se à sociedade.

Legado e memória

A fortaleza foi reconstruída em uma segunda localização, com museus que exibem artefatos encontrados na escavação e recriações visuais da vila original. Hoje, Fort Mose é reconhecido como o primeiro assentamento negro livre legalmente sancionado no território que viria a ser os Estados Unidos. A visita aos museus da região oferece trajetória desde o contato com as tradições africanas até o papel dos afrodescendentes na Florida colonial.

A história de St. Augustine também se conecta ao movimento dos direitos civis. Em meados dos anos 1960, a cidade foi palco de ações que ajudaram a influenciar políticas nacionais de combate à segregação. Além disso, a região abriga o Lincolnville, bairro histórico que preserva registros e espaços públicos que ajudam a compreender esse capítulo da luta por igualdade.

Hoje, Fort Mose e Lincolnville mantêm acervo museológico e programas educativos. Eventos sazonais, como encenações históricas, ajudam a contextualizar episódios de resistência e liberdade, mantendo viva a memória de uma comunidade cuja história atravessa mais de quatro séculos.

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