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ONGs solicitam inclusão do Cerrado brasileiro na EUDR na próxima revisão

ONGs pedem inclusão do Cerrado na EUDR na revisão de um ano; 74% do bioma fica fora, o que pode manter entradas de commodities de áreas desassistidas pela UE

Cattle herds in the Amazon and Cerrado tend to have few head of cattle per hectare. Restoring pastures can increase the number of cattle in the same amount of space, which researchers say could reduce the need for deforestation. Image © Tommaso Protti/Greenpeace.
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  • Cerca de 74% do Cerrado brasileiro fica fora do alcance da regulamentação EUDR da União Europeia.
  • A entrada de commodities em áreas excluídas depende de não haver ilegalidades conforme leis nacionais e internacionais.
  • Em 2023, o desmatamento no Cerrado aumentou 43%, com maior destruição no estado da Bahia.
  • ONGs e povos tradicionais pedem revisão da EUDR no periodo de um ano; a Comissão Europeia propôs atraso de 12 meses que pode mudar a data da revisão.
  • Há risco de efeito de vazamento e aumento da pressão sobre comunidades tradicionais; incluir o Cerrado na revisão pode ajudar a reduzir desmatamento.

O texto propõe que o Cerrado brasileiro seja incluído na revisão da EUDR, a regulamentação da União Europeia para evitar produtos ligados ao desmatamento. Hoje, aproximadamente 74% do Cerrado fica fora do escopo da norma, o que pode permitir a entrada de commodities na UE caso não haja ilegalidades comprovadas.

Conselhos de organizações não governamentais e líderes indígenas pedem que as autoridades da UE ampliem a regulação na janela de revisão de um ano. A Comissão Europeia indicou, no entanto, um adiamento de 12 meses na implementação da EUDR, o que pode atrasar essa revisão.

A EUDR entra em vigor para impedir a entrada na UE de produtos ligados ao desmatamento a partir de 1º de janeiro de 2024, abrangendo áreas de produção de óleo de palma, carne bovina, café, cacau, soja, madeira e borracha. A definição de florestas segue critérios da FAO, o que exclui algumas savanas e pastagens.

Caso não haja violação de leis nacionais ou internacionais, produtos vindos de áreas não cobertas pela EUDR podem ser comercializados com a UE, incluindo grandes áreas do Cerrado, ecossistema vital para recarga de aquíferos e segurança alimentar na região.

Especialistas alertam sobre o risco de efeito vazante, com produtores deslocando operações para áreas não protegidas. Ambientalistas destacam ainda que povos tradicionais e comunidades indígenas podem sofrer impactos maiores caso a regulação não alcance o Cerrado de forma equivalente a outros biomas.

No Cerrado, há cerca de 216 territórios indígenas pertencentes a 83 grupos étnicos, além de 44 territórios Quilombolas. Organizações apontam riscos de grilagem de terras e de contaminação por pesticidas, assim como de violências associadas à expansão da agronegócio.

Estudos citados por pesquisadores indicam possíveis impactos sobre espécies típicas da região, como predadores de grande porte e mamíferos de grande porte, caso a pressão por expansão continue. A inclusão do Cerrado na revisão da EUDR é defendida como forma de frear a curva de desmatamento nesses biomas.

Alguns especialistas defendem a prorrogação de 12 meses para aperfeiçoar a compreensão sobre florestas e uso do solo, a fim de evitar lacunas regulatórias. No entanto, outras vozes argumentam que o atraso pode comprometer o avanço da proteção ambiental e reduzir o ímpeto de políticas públicas contra o desmatamento.

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