- Povos Kakataibo, em Ucayali, enfrentam invasões de terceiros ligados ao narcotráfico, com pistas aéreas clandestinas ocultas na floresta usadas para transportar cocaína.
- Em 2023, três adolescentes entre 14 e 16 anos chegaram ao centro médico com sinais de intoxicação por pasta de coca; não havia laboratório local para confirmação.
- A Mongabay Latam, com IA desenvolvida com Earth Genome, identificou seis pistas de avião ocultas, localizadas próximas a reservas indígenas, usadas para movimentar drogas.
- Lideranças indígenas foram assassinadas por violência ligada ao narcotráfico; um líder Kakataibo, Mariano Isacama, foi encontrado morto após receber ameaças anônimas.
- A Guarda Indígena Kakataibo atua para monitorar desmatamento, erradicar lavras de maceração e impedir o avanço de plantações ilícitas, em meio a conflito com invasores e pressões de madeireiros e agricultores.
O texto investiga a relação entre zonas indígenas Kakataibo no Peru, rotas de drogas e a violência associada. País as informações são obtidas por Mongabay Latam com apoio de um algoritmo de inteligência artificial desenvolvido com Earth Genome. O foco é descrever o que acontece, quem envolve, quando, onde e por quê.
Em Padre Abad, no jukle amazônico de Ucayali, comunidades Kakataibo convivem com a presença de invasores, coca e traficantes. Jovens moradores, inclusive, são afetados por atividades ilícitas que alteram usos tradicionais do território e elevam o risco à segurança local. O estudo aponta runways ocultos na floresta usados para tráfico.
O trabalho identifica vilarejos ao norte e ao sul da reserva indígena onde o tráfico se organiza. Plantios de coca crescem em áreas próximas às comunidades e, segundo fontes, a atividade envolve maceração, transporte aéreo e uso de aeronaves de pequeno porte para envio de droga a outras regiões. O território é palco de confrontos entre traficantes, comunidades e dispositivos de segurança.
Casos de violência e assassinatos de líderes indígenas também são mencionados. Um líder Kakataibo afastado de atuação pública foi encontrado assassinado em julho, com indícios de torture. A investigação está em curso pela divisão de direitos humanos da Procuradoria de Ucayali, e há relatos de ameaças contra defensores da terra por denunciar atividades ilegais.
Dados de saúde indicam três adolescentes com sinais de intoxicação por pasta de cocaína em 2023. Eles foram atendidos no centro médico comunitário, que carece de laboratório e de treinamento específico para emergências toxicológicas. O episódio evidenciou a ausência de infraestrutura de saúde adequada para lidar com esse tipo de ocorrência.
A reportagem descreve infraestrutura precária nas comunidades: ausência de água potável, internet e energia, com apenas parte da energia proveniente de baterias ou painéis solares. O centro médico teve instalações parcialmente fechadas, e muitas pastas da escola, deterioradas. Ainda assim, o alto-falante e o som são destaque na vida comunitária.
O território Kakataibo abriga áreas de isolamento e áreas habitadas por comunidades não isoladas. O plantio de coca é observado em parcelas próximas às comunidades, com renda significativa para traficantes na cadeia de produção, transformação e distribuição. Estimativas de produção sugerem rendas que não cobrem necessidades básicas quando distribuídas entre moradores.
A rota de tráfico envolve várias etapas: plantações, maceração, produção de pasta e envio para mercados internacionais. Relatórios indicam que resíduos de coca são enviados principalmente a Codo del Pozuzo, Huánuco, com embarques a Bolivia e, posteriormente, a destinos como a América do Norte e a Europa. A lucratividade do tráfico é apresentada por meio de estimativas de lucro em diferentes pontos da cadeia.
Sobre as rotas, a investigação aponta aeronaves ilegais e pistas ocultas em áreas próximas a rios como Santa Ana, Huacapistea e Dorado. A existência dessas pistas é confirmada por imagens de satélite e por fontes locais, muitas vezes temerosas de falar abertamente. Aproxidamente 37 hectares de coca estariam cercando áreas de pistas.
A polícia e autoridades locais indicam ações para desmantelar as pistas. O coronel James Tanchiva afirma que sete pistas foram identificadas, com operações de destruição em andamento. Alguns trechos só são acessíveis por helicóptero, exigindo apoio aéreo para alcançar as áreas mais remotas.
O texto também destaca a atuação das Guardas Indígenas Kakataibo, formadas por moradores das comunidades para monitorar desmatamento, lavra de madeira e cultivo ilegal. Esses grupos mantêm rondas periódicas pela mata para mapear concentrações de coca, colaborar com a polícia e queimar pits de maceração.
O tema envolve disputas territoriais com invasões de áreas de reserva, devastação florestal para pastagens e novos ninhos de tráfico. Líderes locais interpretam a situação como uma perda de território, com pedidos de expansão de áreas sob proteção e maior presença estatal para conter violações ambientais e criminais.
No âmbito regional, há outras comunidades próximas à reserva Kakataibo Norte que também enfrentam pressão de traficantes e desmatamento. A reportagem ressalta a necessidade de cooperação entre autoridades, comunidades e organizações não governamentais para reduzir danos, proteger vidas e recuperar parte das áreas degradadas.
Por fim, o material aponta que a violência associada ao narcotráfico continua impactando a vida das populações indígenas, levando líderes a defender seus territórios até limites extremos. As informações são apresentadas como parte de uma investigação jornalística sobre a presença de pistas, drogas e violência ligadas ao tráfico na região.
Entre na conversa da comunidade