- Investigadores combinaram imagens de satélite e IA com fontes oficiais para identificar pelo menos 45 pistas clandestinas de tráfico de drogas em Ucayali, das quais 26 ficam dentro ou perto de comunidades indígenas.
- Em Atalaya, 31 pistas foram localizadas, distribuídas entre os distritos de Raymondi, Sepahua, Yurúa e Tahuanía; 26 dessas afetam comunidades e reservas indígenas.
- Grupos criminosos reativam pistas abandonadas, trocam de pistas com frequência e alugam canais de decolagem por valores entre 10 mil e 20 mil dólares, com potencial de até quatro voos diários.
- Quatro mil à decolagem de cocaína por dia é estimado pela polícia antinarcóticos, com o produto chegando a destinos como Bolivia, Brasil, Estados Unidos e Europa; os preços sobem em cada etapa da cadeia.
- Indígenas de Atalaya, incluindo os povos Asháninka, Ashéninka, Yine e Shipibo, relatam violência, ameaças e deslocamentos ligados ao tráfico, deflorestação e ocupação de terras pelo cultivo de coca e pelas pistas ilegais.
Um jornalista acompanhou um deslocamento ao longo do rio Ucayali, na Amazônia peruana, para investigar pistas clandestinas usadas para o tráfico de drogas. Em Tahuanía, Atalaya, uma clareira de terra exposta foi identificada como uma das inúmeras pistas abertas para voos de drogas ainda em uso ou em preparação. A área fica próxima a comunidades indígenas, em meio a plantações e mata densa.
O visitante relata que a via de acesso foi preparada há cinco anos, mas só voltou a receber operações com o restabelecimento das atividades de tráfico após a pandemia. O local, de cerca de 985 metros de extensão, aparece como um campo raso entre a floresta, pronto para recebimento de aeronaves. Sixto, morador local, ajuda a guiar o caminho e prefere manter o nome em sigilo.
A análise de satélite combinada com fontes oficiais indica que há, ao todo, 45 pistas clandestinas em Ucayali, com 18 dentro de territórios indígenas e 19 próximas a eles. As pistas estão dispersas por Atalaya, principalmente nos distritos de Raymondi, Sepahua, Yurúa e Tahuanía. Em 26 dessas, os impactos atingem comunidades indígenas.
Localização e alcance
As investigações corroboram que várias pistas ficam ao longo de rios e estradas que cortam áreas de floresta e áreas de logging. Em pelo menos 31 pistas localizadas em Atalaya, 26 estão dentro ou perto de povos originários. A presença de coca e estruturas para processamento é citada por autoridades e fontes locais.
Em Tahuanía, a DIVMCTID informou que as pistas estariam abandonadas, mas poderiam ser reativadas rapidamente se houver demanda. Plateias políticas e ambientais relatam que o uso de aeródromos improvisados tem se intensificado desde 2015, com operações que costumam explorar rotas conectadas aos rios Urubamba, Mantaro e Apurímac.
Impactos sociais e econômicos
Indígenas das comunidades Asháninka, Ashéninka, Yine e Shipibo relatam hostilidade, ameaças e violência ligadas ao tráfico. Orau, a liderança local, aponta que a região se tornou um ponto sensível de narco, com mortes e desaparecimentos que afetam a segurança comunitária. A defensoría afirma que várias lideranças já foram mortas ou ameaçadas.
Dados da DEVIDA indicam que a área de Bajo Ucayali tem 3.355 hectares de coca, com tendência de expansão, o que amplifica a pressão sobre comunidades e sobre as áreas de manejo de florestas. A GERFFS registra que parte relevante da perda de cobertura florestal ocorre em áreas próximas a atividades de narcotráfico.
Resposta institucional e cenário atual
Autoridades antinarcótico destacam destruição de pistas ao longo dos anos, com mapas de ações que mostram operações que resultaram na destruição de várias aeronaves e no desmantelamento de redes. Mesmo assim, fontes locais afirmam que novas pistas aparecem com frequência, e que a repressão não interrompe completamente o fluxo.
Comunidades indígenas afirmam falta de apoio estatal e veem os avanços do narcotráfico como uma ameaça contínua. Em Atalaya, a luta por segurança, defesa territorial e proteção ambiental permanece limitada diante de recursos e estruturas de proteção insuficientes.
Perspectivas
Questões de governança, fiscalização ambiental e combate ao narcotráfico são citadas por líderes locais como cruciais para reduzir os impactos. Especialistas ressaltam que ações coordenadas entre órgãos de segurança, órgãos ambientais e comunidades são necessárias para interromper ciclos de uso e reativação de pistas.
Fontes: Mongabay Latam, DIRANDRO e GERFFS indicam que o cenário envolve dezenas de pistas ativas ou reativáveis e impactos significativos sobre comunidades indígenas, além de pressões de desmatamento e cultivo de coca na região.
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