Após a queda do governo autoritário de Bashar al-Assad, livros que antes eram proibidos agora estão disponíveis nas livrarias de Damasco. O estudante Amr al-Laham, de 25 anos, relatou que, há apenas dois meses, questionar sobre um livro poderia resultar em prisão. Ele encontrou “Al-Maabar”, de Hanan Asad, que narra o conflito em Aleppo. A […]
Após a queda do governo autoritário de Bashar al-Assad, livros que antes eram proibidos agora estão disponíveis nas livrarias de Damasco. O estudante Amr al-Laham, de 25 anos, relatou que, há apenas dois meses, questionar sobre um livro poderia resultar em prisão. Ele encontrou “Al-Maabar”, de Hanan Asad, que narra o conflito em Aleppo. A recente ofensiva de rebeldes islamistas culminou na derrubada de Assad, encerrando mais de cinquenta anos de opressão.
Os sírios agora têm acesso a obras que antes eram vendidas clandestinamente, como “A concha”, de Mustafa Khalifa, e “A casa da minha tia”, de Ahmed Khairi Alomari. Um livreiro, Abu Yamen, destacou que a literatura prisional era totalmente proibida e que as pessoas temiam até perguntar sobre esses livros. O clima de repressão era intenso, com os serviços de segurança monitorando as atividades literárias e intimidando os cidadãos.
Um editor, que preferiu não ser identificado, comentou que, desde os anos 1980, evitou imprimir obras políticas devido à vigilância. Ele recordou como os serviços de segurança frequentemente questionavam sobre suas vendas e clientes, demonstrando um conhecimento limitado sobre literatura. Agora, obras de teólogos como Ibn Qayyim al-Jawziyya e Sayyed Qotb, antes ocultas, estão em alta demanda nas livrarias.
Abdel Rahman Suruji, proprietário de uma livraria, afirmou que os livros proibidos estão sendo vendidos abertamente, atraindo tanto moradores de Damasco quanto sírios que retornam do exterior. Ele relembrou a apreensão de mais de 600 livros por agentes de segurança em 2010. Mustafa al-Kani, estudante de teologia, expressou alívio ao perceber que agora é possível acessar obras que antes eram perigosas, como as de Sayyed Qotb, que poderiam levar à prisão apenas por serem citadas.
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