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União Europeia prepara retaliações contra big techs em resposta a tarifas de Trump

- A União Europeia planeja retaliar tarifas dos EUA com seu "instrumento anticoerção". - O ACI permite ações contra indústrias de serviços, especialmente tecnologia. - Ministros da UE discutem retaliações, mas temem guerra comercial em crescimento fraco. - A resposta da UE deve ser proporcional e requer aprovação de 15 dos 27 Estados-membros. - A velocidade na resposta é crucial, segundo autoridades da UE, para evitar danos.

A União Europeia está se preparando para implementar medidas retaliatórias contra os Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump siga adiante com suas ameaças de tarifas. Segundo o jornal Financial Times, a Comissão Europeia considera utilizar seu instrumento anticoerção (ACI) para responder a possíveis ações de Washington, visando indústrias de serviços, especialmente as grandes empresas […]

A União Europeia está se preparando para implementar medidas retaliatórias contra os Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump siga adiante com suas ameaças de tarifas. Segundo o jornal Financial Times, a Comissão Europeia considera utilizar seu instrumento anticoerção (ACI) para responder a possíveis ações de Washington, visando indústrias de serviços, especialmente as grandes empresas de tecnologia dos EUA. Uma autoridade da UE afirmou que “todas as opções estão sobre a mesa”, destacando o ACI como a resposta mais contundente que não infringe o direito internacional.

O ACI, que foi desenvolvido durante o primeiro mandato de Trump e já foi utilizado como uma ferramenta dissuasiva contra a China, permite à UE impor restrições ao comércio de serviços se um país usar tarifas sobre bens para forçar mudanças políticas. A ameaça de Trump de tarifas para coagir a Dinamarca a entregar a Groenlândia e pressionar a UE a desistir de ações contra empresas de tecnologia dos EUA é um exemplo que poderia justificar o uso do ACI. Essa ferramenta, apelidada de “bazuca” por autoridades da UE, possibilita uma variedade de medidas, como revogar proteções de propriedade intelectual e restringir o acesso ao mercado para serviços financeiros.

Na última semana, Trump reiterou sua intenção de impor tarifas à UE, citando ações contra empresas de tecnologia e o déficit comercial do bloco. Embora o comissário de Comércio, Maros Sefcovic, tenha expressado interesse em negociar para evitar tarifas, ele alertou que a UE reagirá “com firmeza” se for atingida. Durante uma reunião em Varsóvia, a maioria dos ministros de Comércio da UE apoiou uma resposta punitiva, embora alguns Estados-membros estejam preocupados com os impactos de uma guerra comercial em um cenário econômico frágil.

Qualquer retaliação da UE precisaria ser proporcional e aprovada por pelo menos 15 dos 27 Estados-membros. O processo de consulta pode levar semanas, e as últimas tarifas retaliatórias impostas aos EUA em 2018 demoraram três meses para serem adotadas. Um diplomata da UE ressaltou que o bloco poderia agir rapidamente em situações de crise, citando respostas a eventos como a invasão russa da Ucrânia. Em contraste, Canadá e México anunciaram medidas retaliatórias quase imediatamente após a decisão de Washington de impor tarifas, com Trump posteriormente suspendendo essas tarifas em troca de compromissos relacionados à migração.

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