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Crianças enfrentam medo de ir à escola diante de ameaças de deportação

- A comunidade imigrante em Nova York vive clima de medo após ações de imigração. - Pais relatam que crianças pedem para não ir à escola por medo de deportação. - Administração escolar reafirma compromisso, mas colaboração com o prefeito gera apreensão. - Aumento de detenções pela ICE gera insegurança, afetando a frequência escolar. - Autoridades escolares garantem proteção, mas pais ainda temem por seus filhos.

Eva e seu filho de sete anos tiveram uma conversa séria sobre a situação de imigração há uma semana, um diálogo que ela temia. O menino questionava sobre as detenções que via na TV. “Nós não temos documentos, não nascemos aqui e eles estão nos pegando. Se isso acontecer, não chore, sua tia vai te […]

Eva e seu filho de sete anos tiveram uma conversa séria sobre a situação de imigração há uma semana, um diálogo que ela temia. O menino questionava sobre as detenções que via na TV. “Nós não temos documentos, não nascemos aqui e eles estão nos pegando. Se isso acontecer, não chore, sua tia vai te enviar para o México comigo,” disse Eva, com o coração apertado ao vê-lo partir para a escola. Sua filha mais velha, de dezesseis anos, já tem uma noção do que é deportação e pediu para ficar em casa. Eva, preocupada, às vezes cede e permite que eles faltem às aulas, mas sabe que a frequência escolar é importante para as notas.

Apesar da normalidade aparente em Nova York, há um clima de medo entre os imigrantes. Imagens de operações de imigração em bairros como Corona, Queens, e a detenção recorde de 39 pessoas em um dia pela ICE (Agência de Imigração e Alfândega dos EUA) aumentaram a ansiedade. O governo de Donald Trump, logo após sua posse, autorizou agentes a agir em áreas consideradas “sensíveis”, como escolas e igrejas, o que gerou resistência em várias cidades, incluindo Nova York, onde a Secretaria de Educação reafirmou seu compromisso com os alunos indocumentados.

A chancelaria das escolas de Nova York, Melissa Avilés Ramos, declarou que as escolas devem ser lugares seguros para todos os alunos, independentemente de seu status migratório. A política da cidade impede a entrada de agentes da ICE sem mandado, e várias organizações comunitárias trabalham para garantir a segurança dos estudantes. Eduardo Antonetti, da Internationals Network for Public Schools, aconselha os pais a se informarem sobre os protocolos de segurança e a considerarem planos de tutela legal para seus filhos.

O prefeito de Nova York, Eric Adams, afirmou que “as crianças devem ir à escola”, mas sua disposição em colaborar com a administração republicana gerou preocupações. Muitos pais, como a Sra. P., decidiram não enviar seus filhos à escola devido ao clima de medo. Dados da Secretaria de Educação mostram que a taxa de presença nas escolas caiu para 80% logo após a posse de Trump. A Sra. P. explicou a seus filhos a situação, e seu filho mais novo expressou medo de que seus pais fossem deportados. Ela tranquilizou as crianças, garantindo que, se algo acontecesse, fariam o possível para mantê-los seguros.

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