O Panamá decidiu não renovar seu acordo de participação na Nova Rota da Seda (NRS), um projeto de infraestrutura da China, em uma ação que parece refletir a influência dos Estados Unidos. O presidente panamenho, Jose Raul Molino, afirmou que a decisão já estava em seus planos, mas ocorreu logo após a visita do secretário […]
O Panamá decidiu não renovar seu acordo de participação na Nova Rota da Seda (NRS), um projeto de infraestrutura da China, em uma ação que parece refletir a influência dos Estados Unidos. O presidente panamenho, Jose Raul Molino, afirmou que a decisão já estava em seus planos, mas ocorreu logo após a visita do secretário de Estado americano, Marco Rubio, levantando suspeitas sobre a pressão de Washington. Essa mudança pode ser vista como uma vitória para Donald Trump, especialmente após suas ameaças sobre o Canal do Panamá, embora a disputa por influência entre EUA e China continue complexa.
A China reagiu ao anúncio, protestando contra a saída do Panamá da NRS, mesmo ciente de que seu apelo econômico na região é forte. Três dias após a vitória de Trump nas eleições, a embaixadora da China no Panamá, Xu Xueyuan, visitou o palácio presidencial, apresentando projetos de interesse para empresas chinesas, incluindo setores estratégicos como energia e telecomunicações. O Panamá, que possui a maior comunidade de descendentes de chineses na América Latina, tem um papel geopolítico significativo, especialmente desde que estabeleceu laços diplomáticos com Pequim em 2017.
Embora a saída do Panamá da NRS possa ser interpretada como uma manobra estratégica, o país também busca renegociar sua relação com a China. O economista Eddie Tapiero considera que essa decisão foi uma jogada inteligente, aumentando o valor geopolítico do Panamá. A construção de uma nova ponte sobre o Canal do Panamá, com investimento de US$ 1,5 bilhão por estatais chinesas, exemplifica que, apesar das promessas não cumpridas de grandes projetos, a presença chinesa ainda é relevante.
Os Estados Unidos, por sua vez, enfrentam o dilema de conter a influência econômica da China na América Latina, sem conseguir oferecer alternativas competitivas em termos de comércio e investimento. Apesar de serem o maior parceiro comercial da região, na América do Sul, a China já ocupa essa posição. A visita de Rubio ao Panamá, marcada por ameaças e falta de propostas concretas, ilustra a dificuldade dos EUA em se afirmar como uma alternativa viável frente ao crescente poderio chinês na região.
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