Organizações religiosas de destaque no Congo se reuniram na quarta-feira em Goma com líderes dos rebeldes M23, apoiados por Ruanda, em uma nova tentativa de promover a paz após semanas de conflitos. A delegação conjunta da Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO) e da Igreja de Cristo no Congo (ECC) se encontrou com Corneille Nangaa, […]
Organizações religiosas de destaque no Congo se reuniram na quarta-feira em Goma com líderes dos rebeldes M23, apoiados por Ruanda, em uma nova tentativa de promover a paz após semanas de conflitos. A delegação conjunta da Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO) e da Igreja de Cristo no Congo (ECC) se encontrou com Corneille Nangaa, líder político dos rebeldes, que tomaram Goma no final de janeiro. “O encontro foi uma oportunidade para buscar o fim da guerra o mais rápido possível”, afirmou o bispo Donatien Nshole, secretário-geral da CENCO.
O bispo Nshole também destacou a importância de restaurar os serviços de infraestrutura em Goma, que abriga muitos dos 6,5 milhões de deslocados pela crise. Os rebeldes M23, que contam com cerca de 4 mil soldados de Ruanda, são um dos mais de 100 grupos armados que disputam o controle da rica região mineral do leste congolês. O recente conflito em Goma resultou na morte de pelo menos 2 mil pessoas, segundo autoridades locais.
Apesar de esforços de países africanos para avançar nas negociações de paz, os resultados têm sido limitados. Embora os rebeldes tenham declarado um cessar-fogo unilateral, combates continuavam na quarta-feira, com tentativas de capturar mais cidades próximas à capital provincial de Bukavu. “Relatos locais indicaram combates na localidade de Ihusi, a cerca de 70 quilômetros ao norte de Bukavu,” informou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
A posição do governo congolês é de que aceitará dialogar com os M23 apenas dentro do contexto de esforços de paz anteriores. O governo desconsiderou a declaração de cessar-fogo dos rebeldes como falsa e pediu sanções contra eles e Ruanda. Em Goma, a reação à reunião de paz foi mista; enquanto alguns moradores expressaram esperança, outros consideraram a iniciativa insuficiente. “A única solução é que os líderes se reúnam,” disse Fiston Kitoko, um residente local. O partido do presidente Félix Tshisekedi, a União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), também se opôs aos esforços de paz das lideranças religiosas, sugerindo que elas deveriam ter aguardado uma posição oficial do presidente.
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