O governo da Rússia autorizou e incentivou o uso da violência contra prisioneiros de guerra ucranianos, incluindo tortura com choques e agressões físicas, conforme revelado pelo jornal americano Wall Street Journal (WSJ). Relatos investigados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) mostram que agentes penitenciários não apenas cumpriam ordens, mas também pareciam apreciar as agressões. A ordem […]
O governo da Rússia autorizou e incentivou o uso da violência contra prisioneiros de guerra ucranianos, incluindo tortura com choques e agressões físicas, conforme revelado pelo jornal americano Wall Street Journal (WSJ). Relatos investigados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) mostram que agentes penitenciários não apenas cumpriam ordens, mas também pareciam apreciar as agressões. A ordem para intensificar a violência foi dada nas primeiras semanas do conflito, com instruções para desligar câmeras corporais e agir com crueldade.
Os depoimentos de ex-prisioneiros, como Yulian Pylypey, revelam um cenário de horror, onde ele foi agredido durante interrogatórios e passou por várias unidades prisionais, perdendo mais de 20 kg e enfrentando episódios de fome e violência sexual. Outro prisioneiro, Pavel Afisov, relatou que as agressões aumentavam ao ser transferido para novas unidades, sendo submetido a choques elétricos e forçado a cantar hinos, sob ameaça de violência. Um relatório da ONU indicou que as torturas ocorreram em pelo menos 38 prisões russas, caracterizando um padrão de violência sistemática.
A relatora especial da ONU, Mariana Katzarova, destacou que os métodos de tortura incluem execuções simuladas, espancamentos e psiquiatria punitiva, com o uso de choques elétricos em áreas sensíveis. As denúncias estão sendo investigadas pelo TPI, que pode emitir novas ordens, como as que resultaram no pedido de prisão do presidente russo, Vladimir Putin. Ex-funcionários do sistema penitenciário afirmam que forças especiais eram responsáveis por implementar essas ordens, utilizando táticas de intimidação para garantir a obediência dos demais guardas.
Embora o uso de tortura em prisões não seja exclusivo da Rússia, os relatos detalhados de ex-prisioneiros e funcionários mostram como a violência é utilizada para obter confissões e desestimular o retorno ao combate. Os ex-guardas mencionam que os choques eram tão frequentes que as baterias se esgotavam rapidamente, e alguns prisioneiros eram agredidos repetidamente no mesmo local, levando a ferimentos graves e até mortes. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou as acusações, chamando-as de “generalizações infundadas”, enquanto a Comissão de Direitos Humanos da Rússia não se manifestou.
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