A recente visita da secretária-executiva do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, a Pequim, sinaliza um fortalecimento das relações entre Brasil e China em um contexto geopolítico marcado pela volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Este encontro, o mais significativo desde a visita de Xi Jinping ao Brasil em novembro, […]
A recente visita da secretária-executiva do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, a Pequim, sinaliza um fortalecimento das relações entre Brasil e China em um contexto geopolítico marcado pela volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Este encontro, o mais significativo desde a visita de Xi Jinping ao Brasil em novembro, ocorreu a pedido do vice-chanceler chinês, Ma Zhaoxu, que expressou interesse em “consultas estratégicas”. Durante sua estadia de dois dias, Maria Laura teve uma agenda intensa, reunindo-se com importantes autoridades chinesas.
Nas conversas, o novo governo americano foi um tema central, especialmente nas discussões com Ma Zhaoxu, que acompanha as relações com os EUA. Os representantes chineses demonstraram preocupação com as políticas de Trump, mas acreditam que suas ações podem resultar em um isolamento dos Estados Unidos. “Trump oferece uma oportunidade para que o Sul Global ganhe mais espaço, liderado por China e Brasil,” afirmaram os interlocutores. A China manifestou grande expectativa em relação à presidência do Brics pelo Brasil e prometeu colaborar para que a cúpula do grupo, marcada para julho no Rio de Janeiro, seja produtiva.
Entre os tópicos discutidos, destacaram-se a defesa do multilateralismo, das Nações Unidas e do livre comércio, que estão em desacordo com as ações de Trump. A ideia de criar uma moeda do Brics, embora não tenha sido descartada, enfrenta resistência devido às ameaças de tarifas elevadas por parte dos EUA. Além disso, a China planeja reafirmar seu apoio à América Latina durante a reunião do Foro Celac-China, prevista para maio, onde espera a presença do presidente Lula, ainda não confirmada.
Por fim, a guerra da Ucrânia também foi abordada nas reuniões, com a percepção brasileira de que as propostas conjuntas entre Brasil e China estão amadurecendo. A China, por sua vez, articula um possível encontro entre Trump e Vladimir Putin, enquanto Pequim observa que a real motivação de Trump pode ser a contenção da influência chinesa na região da Ásia-Pacífico. A diplomacia chinesa continua a apoiar uma solução negociada para o conflito, destacando a importância do diálogo entre as partes envolvidas.
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