Rafael Stern, um brasileiro-israelense de 36 anos, partiu do Aeroporto Internacional Ben-Gurion, em Tel Aviv, em 17 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas. Ele e sua esposa decidiram estudar na Universidade de Stanford, nos EUA, e descobriram que esperavam seu primeiro filho uma semana antes da viagem. Rafael descreveu sua relação com […]
Rafael Stern, um brasileiro-israelense de 36 anos, partiu do Aeroporto Internacional Ben-Gurion, em Tel Aviv, em 17 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas. Ele e sua esposa decidiram estudar na Universidade de Stanford, nos EUA, e descobriram que esperavam seu primeiro filho uma semana antes da viagem. Rafael descreveu sua relação com Israel como “tóxica”, especialmente após a ascensão da extrema direita sob Benjamin Netanyahu, que ele considera uma das causas da guerra. Em 2023 e 2024, muitos israelenses têm deixado o país, com 82.700 emigrantes registrados em 2023, um aumento significativo em relação aos 55.400 do ano anterior.
Os dados da Agência Central de Estatísticas de Israel mostram que cerca de 50% dos emigrantes em 2024 nasceram fora do país, e 15% haviam se mudado para Israel entre 2019 e 2023. A emigração elevada impactou o crescimento populacional, que caiu para 1,1% em 2024, comparado a 1,6% em 2023. Rafael, que morou em Israel por oito anos, expressou sua dificuldade em lidar com a situação atual, mencionando a pressão de servir no Exército e a insatisfação com o custo de vida. Ele também relatou ter enfrentado reações hostis por participar de protestos contra a reforma judicial do governo.
A crise existencial entre os jovens israelenses é profunda, segundo o rabino Rodrigo Baumworcel. Muitos profissionais de tecnologia estão emigrando para países como EUA e Canadá, onde trabalham como nômades digitais. A possibilidade de retornar a Israel é uma preocupação constante para esses emigrantes. Um israelense que preferiu não se identificar mencionou que saiu por medo da guerra, mas sente culpa por não estar presente para apoiar os que permanecem no país.
Gisele Charak, uma brasileira-israelense de 30 anos, decidiu ficar em Israel para trabalhar em uma ONG que ajuda alunos israelenses e palestinos. Ela relatou que a guerra intensificou um clima de decepção no país, levando muitos amigos a deixarem Israel por medo e questões ideológicas. Benny Ostronov, que vive em Israel há nove anos, também expressou seu desejo de sair, mas se sente traumatizado após o ataque do Hamas. Ele mencionou a devastação em Gaza e a falta de respostas para a complexidade da situação, refletindo sobre a incerteza do futuro em meio ao conflito.
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