Após a visita do presidente Lula à China, o Brasil quer que as autoridades chinesas permitam lançamentos conjuntos de satélites na Base de Alcântara, no Maranhão. Desde 1988, os dois países colaboram em um programa espacial, mas todos os lançamentos ocorreram na China devido a restrições tecnológicas. O Brasil planeja lançar os satélites CBERS-5 e CBERS-6, com foco em monitoramento climático e observação em qualquer condição climática. Até agora, foram lançados seis satélites com sucesso, todos a partir da China. O governo brasileiro busca negociar para que os lançamentos ocorram no Brasil e está se preparando para discutir isso durante a visita de Xi Jinping ao Brasil em julho. Além disso, o Brasil quer desenvolver uma cadeia de suprimentos e treinar pessoal para que Alcântara se torne uma base de lançamentos no futuro. A tecnologia espacial é uma área de competição entre potências, e o Brasil já tem um acordo com os Estados Unidos que pode complicar a cooperação com a China.
ENVIADO ESPECIAL A PEQUIM – Após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, o Brasil busca convencer autoridades chinesas a permitir lançamentos conjuntos de satélites na Base de Alcântara, no Maranhão. Essa iniciativa visa fortalecer a cooperação espacial entre os dois países, que já colaboram desde mil novecentos e oitenta e oito.
Os países planejam lançar em parceria os satélites CBERS-5 e CBERS-6, com previsão para 2030 e 2028, respectivamente. O CBERS, que significa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, será o primeiro satélite em órbita geoestacionária, focando em monitoramento climático e ambiental. O CBERS-6 contará com tecnologia de radar chinesa, permitindo observações em qualquer condição climática.
Até o momento, o programa espacial conjunto já resultou em seis lançamentos bem-sucedidos de satélites de sensoriamento remoto, todos realizados na China. O governo brasileiro agora tenta contornar restrições tecnológicas que impedem lançamentos fora do território chinês. Um conselheiro presidencial afirmou que os chineses nunca aceitaram realizar lançamentos fora de suas bases.
O Brasil planeja discutir essa questão durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao Brasil em julho, na Cúpula do Brics. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, destacou a intenção de estabelecer uma cadeia de suprimentos e formação de pessoal para a Base de Alcântara, visando um futuro fortalecimento da infraestrutura espacial.
A disputa pelo domínio tecnológico espacial envolve potências como Estados Unidos, China, Rússia e Índia. Em dois mil e dezenove, Brasil e Estados Unidos assinaram um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, que impõe restrições a lançamentos com a China, devido à não adesão da China ao Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis. Apesar disso, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) afirma que os satélites CBERS poderiam ser lançados de Alcântara, caso fossem utilizados foguetes brasileiros, que atualmente não existem.
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