Joseph Kabila, ex-presidente da República Democrática do Congo, criticou o governo de seu sucessor, Félix Tshisekedi, chamando-o de “ditadura”. Ele fez um discurso de 45 minutos no YouTube, um dia após a suspensão de sua imunidade e a possibilidade de ser acusado de traição e crimes de guerra. Kabila, que governou de 2001 a 2019, afirmou que a unidade do país está em risco e apresentou um plano de 12 pontos para a paz, criticando a corrupção e a segurança no país. Ele mencionou que o governo não está lidando bem com a economia e a dívida pública, que aumentou para mais de 10 bilhões de dólares. Kabila também se opôs ao uso de milícias pró-governo e pediu a retirada de tropas estrangeiras do país. Ele destacou que, após 18 anos no poder, o país voltou a uma situação de caos e corrupção. A reação ao seu discurso foi mista, com alguns notando que suas críticas também se aplicavam ao seu próprio governo.
Joseph Kabila, ex-presidente da República Democrática do Congo, criticou o governo de seu sucessor, Félix Tshisekedi, chamando-o de “ditadura”. A declaração ocorreu durante um discurso de 45 minutos transmitido ao vivo pelo YouTube, um dia após o Senado suspender sua imunidade. Kabila enfrenta acusações de traição e crimes de guerra, ligando-o aos rebeldes do M23, que controlam várias cidades no leste do país.
Kabila, que governou de 2001 a 2019, afirmou que sua decisão de falar se deu pela unidade do país estar em risco. Ele apresentou um plano de 12 pontos para a paz, criticando a corrupção e a insegurança. O ex-presidente, que vive fora do país há dois anos, mencionou que pretende visitar Goma, cidade sob controle do M23, onde não teme ser preso.
Críticas ao Governo
Durante seu discurso, Kabila condenou as decisões arbitrárias do governo, que resultaram na proibição de seu partido, o Partido do Povo para a Reconstrução e a Democracia (PPRD), e na apreensão de seus bens. Ele destacou o declínio da democracia no país e criticou a administração de Tshisekedi por não responsabilizar o presidente e por permitir a exploração política do sistema judiciário.
Kabila também abordou a situação econômica, afirmando que a dívida pública ultrapassou R$ 10 bilhões. Ele criticou a utilização de milícias pró-governo como “auxiliares” das forças armadas, afirmando que isso resultou em um estado de caos indescritível no país.
Chamado à Paz
O ex-presidente pediu a retirada de tropas estrangeiras da República Democrática do Congo e elogiou a decisão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) de retirar tropas que apoiavam o exército no combate ao M23. Kabila lamentou que, após dezoito anos no poder, os avanços conquistados foram desperdiçados, levando o país a uma situação de falência e divisão.
A reação ao discurso foi mista, com alguns analistas apontando a ironia nas críticas de Kabila, que refletem problemas enfrentados durante seu próprio governo. Ele concluiu pedindo o fim da ditadura e a restauração da democracia e da governança no país.
Entre na conversa da comunidade