- Desde abril de 2023, o Sudão enfrenta uma guerra civil, resultando em uma grave crise humanitária.
- Mais de 12 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas.
- Uma jovem sofreu um aborto espontâneo enquanto fugia da violência em Darfur, percorrendo 70 quilômetros em três dias.
- Durante a fuga, sua família enfrentou assaltos e a morte de parentes, incluindo crianças que morreram de sede.
- A situação em Tawila é crítica, com escassez de alimentos e água, e muitos sobreviventes vivem em condições precárias.
Sudão: Jovem sofre aborto espontâneo durante fuga da guerra em Darfur
Desde abril de 2023, o Sudão vive uma guerra civil intensa, com combates entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF). A crise humanitária resultante já forçou mais de 12 milhões de pessoas a deixar suas casas.
Alawia Babiker Ahmed, de 19 anos, sofreu um aborto espontâneo enquanto fugia da violência em Darfur. Durante uma caminhada de três dias, ela e sua família percorreram cerca de 70 km de el-Fasher a Tawila, enfrentando bombardeios e assaltos. Alawia relatou que viu pessoas em situações ainda mais graves, incluindo um bebê abandonado ao lado de uma mãe morta. “Cobri a mãe e continuei”, disse.
A jornada foi marcada por violência. O irmão de Alawia, Marwan Mohamed Adam, de 21 anos, foi agredido por gangues aliadas à RSF, que o espancaram e roubaram seus pertences. Ele escapou da morte ao mentir sobre sua origem, afirmando ser de outra localidade. “Você sente medo, como se já estivesse morto”, comentou.
Condições precárias em Tawila
A situação em Tawila é alarmante. Khadija Ismail Ali, outra sobrevivente, perdeu 11 membros da família durante os ataques a el-Fasher. Durante a fuga, três crianças morreram de sede. A escassez de alimentos e água é crítica, com relatos de desnutrição severa entre os recém-chegados.
Alawia e sua família enfrentaram dificuldades extremas, incluindo a perda de alimentos essenciais enquanto tentavam escapar dos ataques. Ao encontrar um grupo de combatentes da RSF, foram revistados e tiveram seus últimos recursos confiscados. “Eles nos disseram para sentar e não nos deram água”, relatou Alawia.
Após a chegada a Tawila, Alawia foi hospitalizada devido ao estado de saúde debilitado. Ela e sua família agora vivem sob a proteção de uma família local, mas a incerteza sobre o futuro persiste. Marwan expressou o desejo de emigrar para continuar seus estudos e reconstruir suas vidas, um desejo compartilhado por muitos sudaneses afetados pela guerra.
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