- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, viajou para Buenos Aires para a Cúpula do Mercosul, que ocorre de dois a três de julho.
- O evento abordará a flexibilização do bloco, a defesa da democracia e o comércio internacional.
- Lula assumirá a presidência pro tempore do Mercosul e discutirá a Tarifa Externa Comum (TEC), com o Brasil concordando em aumentar a lista de exceções em cinquenta itens.
- O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terá reuniões bilaterais com autoridades argentinas, incluindo o ministro da Economia, Luis Caputo.
- A cúpula também discutirá a entrada da Bolívia no Mercosul e o interesse de outros países em se aproximar do bloco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quarta-feira, 2 de julho, para Buenos Aires, onde participará da Cúpula do Mercosul. O evento, que ocorrerá até quinta-feira, terá como foco a flexibilização do bloco, a defesa da democracia e o fortalecimento do comércio internacional. Esta é a primeira visita de Lula à Argentina desde a posse do presidente Javier Milei, com quem mantém uma relação tensa.
Durante a cúpula, Lula receberá a presidência pro tempore do Mercosul e discutirá a Tarifa Externa Comum (TEC), que a Argentina deseja flexibilizar para permitir acordos comerciais com outros países. O Brasil concordou em aumentar a lista de exceções à TEC em 50 itens, permitindo maior liberdade na negociação de tarifas de importação. Contudo, o Brasil impôs condições, como a restrição de produtos brasileiros que representem mais de 20% das importações argentinas.
Relações Bilaterais
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também estará em Buenos Aires, onde terá reuniões bilaterais com autoridades argentinas, incluindo o ministro da Economia, Luis Caputo. As discussões entre os dois refletem as diferentes abordagens econômicas de seus governos: enquanto Milei adota uma agenda ultraliberal, o Brasil prioriza o crescimento com responsabilidade social.
Além disso, a cúpula abordará a entrada da Bolívia no Mercosul e o interesse de outros países, como Panamá e Canadá, em se aproximar do bloco. Espera-se que um acordo com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), que inclui Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, seja anunciado durante o evento.
Expectativas e Desafios
A cúpula ocorre em um contexto político delicado, com a ex-presidente Cristina Kirchner cumprindo prisão domiciliar. A defesa de Kirchner solicitou autorização judicial para que Lula a visite, mas essa visita não está prevista na agenda oficial. O clima entre Lula e Milei não permitirá discussões políticas significativas, conforme afirmou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A agenda da cúpula será predominantemente econômica, com foco na TEC e na integração comercial, refletindo a necessidade de fortalecer o Mercosul em meio a tensões políticas. A movimentação de Lula e Haddad marca uma semana intensa para a diplomacia brasileira, que inclui a participação na Cúpula do Brics no Rio de Janeiro.
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