- Na cúpula do Brics, realizada em seis de julho, os líderes reafirmaram a defesa do multilateralismo.
- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou a crise sem precedentes enfrentada por essa abordagem.
- Lula criticou ações unilaterais, como tarifas impostas pelos Estados Unidos e a invasão da Ucrânia pela Rússia.
- A reforma de instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) foi um tema central do encontro.
- O Brics, que agora conta com 11 países, busca fortalecer a pressão por essas reformas e evitar sanções unilaterais.
Um dos principais focos da cúpula do Brics, realizada no último domingo, 6, foi a defesa do multilateralismo. Os líderes do bloco, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, destacaram a importância de resolver questões globais em conjunto, em vez de ações unilaterais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que o multilateralismo enfrenta uma crise sem precedentes, citando a recente comemoração dos 80 anos da ONU.
Lula apontou que a autonomia dos países está ameaçada e que conquistas em áreas como clima e comércio estão sob risco. Ele criticou ações unilaterais, como as tarifas impostas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e a invasão da Ucrânia pela Rússia, que ignoraram as normas internacionais. Durante a cúpula, duas sessões plenárias abordaram temas como Paz, Segurança e Reforma da Governança Global e o Fortalecimento do Multilateralismo.
A reforma de instituições como a ONU e a OMC foi uma demanda central do encontro. Lula destacou que a governança internacional deve refletir a nova realidade multipolar do século 21. O Brasil e a Índia, que há anos pleiteiam mudanças nas regras do Conselho de Segurança da ONU, defendem a inclusão de mais assentos permanentes. A pesquisadora Marianna Albuquerque, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, ressaltou que, embora mudanças imediatas sejam improváveis, o Brics tem um papel crucial em manter essa agenda viva.
Além disso, a expansão do Brics, que atualmente conta com 11 países, pode fortalecer a pressão por reformas nas instituições globais. Os novos membros devem também apoiar a reforma do Conselho de Segurança, embora não necessariamente defendam a inclusão do Brasil e da Índia como membros plenos. A cúpula reafirmou a necessidade de que os países evitem sanções unilaterais, que devem ser aprovadas pela ONU, conforme o direito internacional. A defesa do multilateralismo, segundo Albuquerque, é uma prioridade do Brics desde suas reuniões iniciais nos anos 2000.
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