- O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu ordens de prisão contra os líderes talibãs Haibatullah Akhundzada e Abdul Hakim Haqqani.
- As acusações incluem crimes contra a humanidade, com foco na perseguição de mulheres e meninas no Afeganistão.
- A decisão foi anunciada em 17 de outubro de 2023 e reflete a situação dos direitos humanos no país desde a volta dos talibãs ao poder em agosto de 2021.
- O promotor do TPI, Karim Khan, destacou a exclusão sistemática das mulheres da vida social e profissional, caracterizando as ações como um “apartheid de gênero”.
- O governo talibã reagiu com desdém à decisão, enquanto organizações de direitos humanos pedem mais responsabilizações.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu ordens de prisão contra dois líderes talibãs, Haibatullah Akhundzada e Abdul Hakim Haqqani, por crimes contra a humanidade relacionados à perseguição de mulheres e meninas no Afeganistão. A decisão foi anunciada nesta terça-feira, 17 de outubro de 2023, e reflete a grave situação dos direitos humanos no país desde a retomada do poder pelos talibãs em agosto de 2021.
Os mandados de prisão foram solicitados pelo promotor do TPI, Karim Khan, que destacou a perseguição sistemática de mulheres e meninas, caracterizada por restrições severas ao acesso à educação, liberdade de movimento e participação em atividades públicas. O TPI identificou que as ações dos talibãs configuram um “apartheid de gênero”, com políticas que excluem as mulheres da vida social e profissional.
Desde a ascensão do grupo, as mulheres afegãs enfrentam proibições rigorosas, como a impossibilidade de frequentar escolas e universidades, além de restrições em espaços públicos. O TPI considerou que as evidências apontam para graves violações dos direitos humanos, incluindo assassinato, tortura e desaparecimento forçado.
A resposta do governo talibã à decisão do TPI foi de desdém, classificando-a como “absurda” e reafirmando seu compromisso com a sharia. O TPI, que não possui força policial própria, depende da colaboração de seus 125 Estados-membros para a execução dos mandados. Assim, qualquer líder talibã que viajar para um país signatário do TPI poderá ser detido.
Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, celebraram a decisão do TPI e pediram que mais líderes talibãs sejam responsabilizados por suas ações. A situação das mulheres no Afeganistão continua a ser uma questão crítica, com a comunidade internacional atenta aos desdobramentos.
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