- O número de mortos nos protestos no Quênia subiu para 31, com mais de 100 feridos e 532 presos.
- As manifestações começaram após a morte do blogueiro Albert Ojwang em custódia policial e a insatisfação com aumentos de impostos.
- A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia relatou que os protestos ocorreram em 17 dos 47 condados, com foco em Nairóbi.
- A ONU criticou o uso de munição letal pela polícia, que resultou em um aumento no número de fatalidades, incluindo uma criança morta por bala perdida.
- Líderes da oposição acusaram o governo de violência estatal e pediram um boicote a negócios ligados à administração do presidente William Ruto.
O número de mortos nos protestos anti-governamentais no Quênia subiu para 31, com mais de 100 feridos e 532 presos. As manifestações, que ocorreram na segunda-feira, 24 de julho, foram desencadeadas pela morte do blogueiro Albert Ojwang em custódia policial e pela insatisfação com os aumentos de impostos.
A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia (KHRCR) relatou que os protestos se espalharam por 17 dos 47 condados do país, com a capital, Nairóbi, sendo um dos principais focos. Os manifestantes exigiam justiça e clamavam por “Ruto deve ir”, referindo-se ao presidente William Ruto. A ONU expressou preocupação com o uso de munição letal pela polícia, que, segundo a KHRCR, resultou em um aumento alarmante no número de fatalidades.
Entre as vítimas, uma criança de 12 anos foi morta por uma bala perdida em Kiambu, nos arredores de Nairóbi. A ONU também destacou que, em menos de um mês, mais de 15 pessoas já haviam sido mortas em protestos anteriores. A situação se agravou com relatos de saques e destruição de propriedades, além de ataques a hospitais.
O governo, por meio do ministro do Interior, Kipchumba Murkomen, defendeu a ação policial, alegando que os protestos foram infiltrados por criminosos. Em resposta, líderes da oposição acusaram o governo de usar veículos não identificados para transportar grupos armados a áreas de protesto. Eles pediram um boicote nacional a negócios ligados à administração Ruto, denunciando a violência estatal e execuções extrajudiciais.
A Chefe da Justiça do Quênia, Martha Koome, alertou sobre os riscos que a violência representa para a democracia do país. As manifestações, organizadas principalmente por jovens da chamada Geração Z, refletem uma demanda crescente por boa governança e responsabilização em relação à brutalidade policial. Desde o início de 2023, mais de 140 pessoas já perderam a vida em protestos no Quênia, conforme levantamento da imprensa local.
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