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Putin consolida poderio nuclear e redefine a geopolítica global

Europa e EUA buscam alternativas ao urânio russo, enquanto o "Sapporo Five" investe US$ 4,2 bilhões em enriquecimento nuclear.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa do fórum Ideias Fortes para um Novo Tempo realizada pela Agência de Iniciativas Estratégicas (ASI), uma organização sem fins lucrativos autônoma, em Moscou, em 3 de julho de 2025 (Foto: Ramil Sitdikov/AFP)
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  • A Rússia, sob Vladimir Putin, mantém forte influência no mercado nuclear global, liderando a exportação de reatores e urânio enriquecido.
  • A dependência da Europa em relação ao urânio russo diminuiu, com a União Europeia importando apenas 24% em 2023.
  • Os Estados Unidos e aliados formaram o grupo “Sapporo Five” para investir em enriquecimento nuclear, com um aporte de pelo menos US$ 4,2 bilhões.
  • A empresa estatal russa Rosatom controla 44% da capacidade mundial de enriquecimento de urânio e 65% do mercado de reatores nucleares.
  • A resistência de países como Hungria e Eslováquia dificulta a adoção de impostos sobre importações de urânio russo, enquanto alternativas estão sendo desenvolvidas por empresas ocidentais.

A Rússia, sob a liderança de Vladimir Putin, continua a exercer uma influência significativa no mercado nuclear global, dominando a exportação de reatores e urânio enriquecido. No entanto, a dependência da Europa em relação ao urânio russo está em declínio. Recentemente, os Estados Unidos e aliados formaram o grupo conhecido como “Sapporo Five”, com o objetivo de investir em enriquecimento nuclear e reduzir a influência russa no setor.

A Rosatom, empresa estatal russa, controla cerca de 44% da capacidade mundial de enriquecimento de urânio e detém aproximadamente 65% do mercado global de exportação de reatores nucleares. Em 2022, a União Europeia importou cerca de 25% do urânio enriquecido que utilizou da Rússia, enquanto os Estados Unidos adquiriram uma quantidade similar. Em 2023, a Rússia arrecadou cerca de US$ 2,7 bilhões com a exportação de urânio enriquecido.

Mudanças no Cenário Nuclear

A crescente pressão para reduzir a dependência do urânio russo levou a União Europeia a considerar a implementação de impostos sobre essas importações. Contudo, a resistência de países como Hungria e Eslováquia, que possuem reatores projetados pela Rússia, dificultou a adoção dessas medidas. A Westinghouse, empresa americana, já desenvolveu conjuntos de combustível compatíveis com reatores russos, buscando alternativas para os países europeus.

Além disso, a Turquia e Bangladesh também se tornaram dependentes da tecnologia nuclear russa, com a Rosatom construindo reatores nesses países. Essa dependência gera preocupações sobre a vulnerabilidade a interrupções no fornecimento e a influência russa na região.

Iniciativas Ocidentais

Os governos ocidentais estão adotando uma abordagem dupla para enfrentar a diplomacia nuclear da Rússia. Primeiro, buscam reduzir a dependência do urânio enriquecido e, segundo, competem mais ativamente no mercado de reatores. O grupo “Sapporo Five” já anunciou investimentos de pelo menos US$ 4,2 bilhões em novas capacidades de enriquecimento.

Embora a dependência da Europa do urânio russo tenha diminuído para 24% em 2023, a demanda por urânio ainda supera a oferta. A construção de reatores no Ocidente enfrenta desafios, como atrasos e custos elevados, dificultando a concorrência com a Rosatom. A situação atual destaca a complexidade do mercado nuclear e as implicações geopolíticas que envolvem a energia nuclear.

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