- Nowruz, o Ano-Novo do Irã, ocorre no final de março e marca a chegada da primavera; a mesa tradicional de sete itens carrega pedidos e símbolos de saúde, renascimento e prosperidade.
- A história iraniana começa com os elamitas e os persas, que formaram reinos no planalto entre a Ásia Central, o Oriente Médio e o Cáucaso, culminando no Império Aquemênida sob Ciro II, com capital em Persépolis.
- Os persas expandiram o império, enfrentaram os gregos na criação de uma das grandes potências da Antiguidade, e foram dominados por Alexandre, o Grande, no século IV a.C.; depois vieram os partas e, mais tarde, os sassânidas, com o zoroastrismo como religião oficial.
- A invasão islâmica a partir do século VII trouxe o islamismo ao Irã, com o país tornando-se majoritariamente xiita sob a dinastia safávida; várias dynastias seguiram, até a modernização promovida pelos pahlavistas e a Revolução de 1979, que instalou o regime islâmico liderado por Khomeini.
- Nas décadas recentes, o Irã disputou guerras, especialmente a guerra com o Iraque (1980–1988), e vive protestos internos desde 2022; externalidades regionais e tensões globais continuam a moldar a política e a sociedade do país.
O Irã, uma das civilizações mais antigas do mundo, tem origem no antigo Irã e atravessa milênios de mudanças políticas, religiosas e culturais. Este texto apresenta os principais pontos, em ordem cronológica, para entender a formação de um país que hoje abriga 85% de xiitas no mundo.
A história começa com povos do planalto iraniano, entre elamitas, medos e persas, no sudoeste do atual Irã. Eles criaram centros urbanos há cerca de 5 mil anos, influenciando uma região estratégica entre a Ásia Central, o Oriente Médio e o Cáucaso.
Entre os nomes que aparecem no caminho está o rei Aquêmenes, associado ao nascimento de um grande império. Embora a existência de Aquêmenes seja debatida, a dinastia aquemênida consolidou um império que se estendeu da Turquia ao Afeganistão, com Ciro, Darí solo e mudanças administrativas que valorizavam autonomia regional.
Nos séculos seguintes, as guerras com Grécia, manejadas por reis como Dario, moldaram o caráter bélico e político do império. As invasões persas foram contidas em Maratona e Salamina, abrindo caminho para a queda sob as pressões de Alexandre, o Grande, em 332 a.C.
Da fragmentação veio a vinha de dinastias, entre sassânidas e partas. Os sassânidas, renomados pela arte, ciência e pela Rota da Seda, instituíram o zoroastrismo como religião de Estado, criando uma muralha defensiva que resistiu a vizinhos diversos, antes de enfrentar ataques de oeste.
A noite da Arábia
O islamismo surge em 610 d.C., com Maomé em Meca. Em 635, a Pérsia é incorporada ao califado islâmico, alterando a demografia religiosa da região, que hoje tem grande maioria muçulmana. A convivência entre culturas gerou trocas de moeda, arquitetura e governo entre iranianos e árabes.
Ao longo dos séculos, grupos locais reagem a dominações externas. Os buídas, por exemplo, promovem a revalorização da cultura persa, financiando Ferdusi para compor o Shahnameh, épico que narra a herança iraniana até a presença árabe. A resistência persa permanece marcada na memória histórica.
Tempos modernos
A decadência dos safávidas promove mudanças que culminam na dinastia Qajar, com capital em Teerã. A partir do século XIX, o Irã perde territórios e vê a intervenção britânica e russa aumentar a influência externa sobre o petróleo e a política interna.
Em 1906, a população conquista a primeira Constituição, ainda que brevemente. O retorno ao poder com Reza Khan, hoje Reza Pahlavi, inicia uma fase de ocidentalização e reformas, que contrastam com repressão religiosa. A mudança de nome para Irã chega em 1935.
A década de 1950 traz nova turbulência: Mossadegh nacionaliza o petróleo com apoio dos EUA e Reino Unido, levando a um golpe respaldado por potências ocidentais. Reza Shah volta ao poder, ampliando obras públicas, mas o regime resulta em corrupção e supressão.
Conflitos e transformação
A Revolução Islâmica de 1979 derruba a monarquia e inaugura Ruhollah Khomeini. O novo governo enfrenta a guerra com o Iraque (1980-1988), com uso de armas químicas por Bagdá, deixando dezenas de milhares de mortos. O conflito molda a política externa iraniana.
Desde então, o Irã financia grupos regionais e mantém uma agenda de defesa, com tensões diplomáticas associadas a programas nucleares. A região acompanha os efeitos dessas decisões, com impactos na segurança regional e nas relações com potências globais.
Internamente, desde 2022, o Irã vive protestos por direitos das mulheres e reformas sociais. As mobilizações refletem debates sobre vestimenta, autonomia civil e participação política, mantendo o país em foco de atenção internacional.
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