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Lojas ilegais de vida selvagem no Laos fraudavam turistas chineses

Investigação aponta redes de lojas em Luang Prabang e Vientiane vendendo marfim, chifre de rinoceronte e bear bile a turistas chineses, com lucro expressivo

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  • O Kin Liao Coffee, em Luang Prabang, foi identificado como ponto de venda ilegal de produtos de vida silvestre, incluindo ivory, chifre de rinoceronte, bile de urso e Angong Niuhuang Wan, parte de uma rede com mais de vinte locais na cidade e em Vientiane.
  • As lojas atendem principalmente turistas chineses em pacotes de baixo custo, com grupos guiados até várias lojas por meio de companhias de turismo que ficam com 20% a 40% dos lucros estimados; quase 11 operadoras de turismo foram localizadas.
  • A investigação aponta que os pacotes envolvem mais de mil turistas chineses por ano, transportados pela China-Laos railway, inaugurada em 2021, que estimulou o turismo e a presença de lojistas.
  • Em visitas, mongabay e agentes identificaram lojas com seguranças armados, salas de apresentação que promovem a legalidade dos itens e, em alguns casos, entregas privadas de produtos para compradores na China, contrariando as leis de Laos e de CITES.
  • Autoridades laotianas, incluindo o Departamento de Florestas, reconhecem que a venda de ivory e chifre de rinoceronte é proibida e afirmam que monitoram o mercado e realizam prisões, enquanto pesquisadores destacam dificuldades de fiscalização e sugerem que as redes podem movimentar dezenas de milhões de dólares.

Luang Prabang, Laos — uma investigação conjunta entre Mongabay e GI-TOC aponta que mais de 20 estabelecimentos na região vendem de forma ilegal produtos de vida silvestre, com foco em turistas chineses. As lojas funcionam como parte de um circuito turístico que envolve pacotes de baixo custo.

Os locais, identificados em Luang Prabang e em Vientiane, teriam atraído viajantes com grupos pré-organizados ecustos elevados em itens como marfim, chifre de rinoceronte e bile de urso, sob pretexto de benefícios de conservação. A maior parte das vendas ocorreria sob forte pressão de vendedores.

A atividade seria facilitada por guias de turismo chineses que conduzem os visitantes de uma loja a outra, com comissões de 20% a 40% para os operadores. Estima-se que cerca de 11 mil turistas chineses participem desses pacotes anualmente.

Contexto e provas

A investigação afirma que muitos estabelecimentos exibem layout similar a lojas de joias, com salas de espera e depoimentos que promovem a legalidade das mercadorias. Em relatos gravados, vendedores citam usos medicinais tradicionais e garantias de que as compras apoiariam conservação e comunidades locais.

As vendas incluem itens como joias de marfim, pós de chifre de rinoceronte, ossos de tigre e escamas de pangolim, além de remédios tradicionais com ingredientes duvidosos. Ponto de venda típico envolve peças exibidas em vitrines e grandes caixas metálicas para carving.

Autoridades laosas reconhecem o caráter proibido dos itens. O Departamento de Silvicultura indica que a venda de marfim, chifre de rinoceronte e partes de animais protegidos é expressamente proibida pela lei local e por CITES, com ações de fiscalização em andamento.

Viés logístico e alcance

A rede opera mesmo com restrições legais, e investigadores apontam que aquisições podem ocorrer com entrega a domicílio na China, violando leis de ambos os países. A China-Laos Railway, inaugurada em 2021, facilita o fluxo de turistas e mercadorias entre os dois países desde 2023, alimentando o formato de pacote turístico.

Especialistas em comércio ilegal de vida silvestre destacam que o modelo é incomum: pacotes de turismo que combinam visitas a lojas com promessas de benefícios religiosos e de conservação, mantendo turistas chineses como público-alvo principal. A existência de ligações entre lojas e entidades oficiais é citada, embora autoridades rejeitem vínculos formais.

Percepção e impactos

A operação é vista como parte de uma rede que pode movimentar dezenas de milhões de dólares, conforme avaliação de GI-TOC, com variações conforme a demanda e a cadeia de suprimentos. Observadores ressaltam que o cenário é incomum e preocupa especialistas pela escala e pela rivalidade com leis de proteção animal.

O governo laos nega impedimentos ao cumprimento de normas de CITES e afirma manter monitoramento de mercados, prisões e apreensões relacionadas a crimes de vida silvestre. A cooperação com autoridades chinesas é apontada como essencial para avanços nas apurações.

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