- As importações brasileiras de diesel russo aumentaram mais de 300 vezes desde o início da Guerra da Ucrânia, passando de US$ 16,9 milhões em 2021 para US$ 5,3 bilhões em 2024.
- No primeiro semestre de 2025, o Brasil já importou US$ 2,5 bilhões do produto.
- O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) informou que esse crescimento é uma substituição, com o Brasil importando menos de outros países para comprar mais da Rússia, onde os preços se tornaram mais competitivos devido a sanções.
- O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona países a interromperem a compra de petróleo e derivados russos, visando o fim da guerra.
- Parlamentares americanos alertaram que o Brasil pode ser o próximo alvo de tarifas adicionais, aumentando os riscos econômicos para o país.
As importações brasileiras de diesel russo dispararam desde o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Em apenas três anos, os valores cresceram mais de 300 vezes: de US$ 16,9 milhões em 2021 para US$ 5,3 bilhões em 2024. Só no primeiro semestre de 2025, o Brasil já importou US$ 2,5 bilhões.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), esse crescimento não representa um aumento geral nas compras de diesel, mas sim uma substituição. Ou seja: o Brasil passou a importar menos de outros países para comprar mais da Rússia — onde os preços ficaram mais competitivos após sanções impostas por Europa e Estados Unidos.
Confira a série histórica:
- 2021: US$ 16,9 milhões
- 2022: US$ 95 milhões
- 2023: US$ 4,5 bilhões
- 2024: US$ 5,3 bilhões
- 2025 (até junho): US$ 2,5 bilhões
A maior parte das importações brasileiras de derivados de petróleo russos é de diesel — outros produtos têm peso comercial menor.
Brasil na mira dos EUA
O crescimento das importações ocorre em um momento de tensão internacional. O ex-presidente dos Estados Unidos e atual pré-candidato Donald Trump tem feito pressão para que países interrompam a compra de petróleo e derivados russos, como forma de forçar o fim da guerra iniciada pelo Kremlin.
Na última quarta-feira (6), Trump assinou um decreto impondo uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos da Índia — país que mantém importações diretas e indiretas de petróleo russo. Com isso, as mercadorias indianas exportadas para os EUA poderão ser sobretaxadas em até 50%.
Segundo a CNN, parlamentares americanos já alertaram senadores brasileiros de que o Brasil pode ser o próximo alvo. O recado foi dado durante uma visita de autoridades nacionais aos Estados Unidos para negociar a retirada de tarifas sobre produtos brasileiros.
A ameaça de um “tarifaço” amplia o risco econômico para o Brasil, que tenta manter o equilíbrio entre as vantagens comerciais do diesel russo e as pressões diplomáticas vindas de Washington.
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