- A morte do ativista palestino Awdah Hathaleen na Cisjordânia gerou repercussão internacional, com a França classificando o ato como terrorismo.
- Hathaleen foi assassinado por um colono ao questionar a presença de retroescavadeiras em sua vila.
- Desde o início da guerra em Gaza, a violência aumentou, resultando na morte de novecentos e noventa e três palestinos, incluindo duzentos e dez menores, e trinta e cinco israelenses.
- Os assentamentos judaicos na Cisjordânia, considerados ilegais pela lei internacional, têm se proliferado desde mil novecentos e sessenta e sete, com a retórica de políticos extremistas contribuindo para a escalada da violência.
- A ONU alerta que mais de quarenta mil palestinos foram deslocados desde janeiro de dois mil e vinte e três, o maior número desde a Guerra dos Seis Dias, em mil novecentos e sessenta e sete.
No final de setembro, a morte do ativista palestino Awdah Hathaleen na Cisjordânia gerou forte repercussão internacional, com a França classificando o ato como terrorismo. Hathaleen, que participou do documentário vencedor do Oscar “Sem Chão”, foi assassinado por um colono ao questionar a presença de retroescavadeiras em sua vila. A escalada da violência entre colonos israelenses e palestinos tem se intensificado desde o início da guerra em Gaza, resultando em um aumento significativo de mortes e ataques.
Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, 993 palestinos, incluindo 210 menores, foram mortos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, enquanto 35 israelenses perderam a vida. A maioria das mortes palestinas foi atribuída a ações militares, mas os colonos também têm protagonizado uma série de ataques, com 757 incidentes registrados apenas no primeiro semestre deste ano, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).
Contexto da Violência
A violência entre colonos e palestinos não é um fenômeno recente. Os assentamentos judaicos na Cisjordânia, considerados ilegais pela lei internacional, proliferaram desde 1967. Atualmente, existem 141 comunidades reconhecidas pelo governo israelense, além de 224 irregulares. A situação se agravou com a retórica de figuras políticas extremistas, como Itamar Ben-Gvir, que promove ações que incentivam a violência contra palestinos.
A ONU alerta que a situação na Cisjordânia é uma “guerra silenciosa”, com deslocamentos forçados de mais de 40 mil palestinos desde janeiro de 2023. Juliette Touma, da Unrwa, enfatiza que o deslocamento atual é o maior desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Recentemente, um veículo da representação russa na Autoridade Nacional Palestina foi atacado, levando Moscou a expressar perplexidade pela conivência das forças israelenses.
Reações Internacionais
A resposta da comunidade internacional tem sido de crescente preocupação. A França, ao classificar o assassinato de Hathaleen como terrorismo, destaca a necessidade de responsabilização. Em 2012, o Departamento de Estado dos EUA já havia rotulado ataques de colonos como “incidentes terroristas”. A atual administração dos EUA, sob Donald Trump, revogou sanções contra líderes de assentamentos, incluindo o responsável pela morte de Hathaleen.
A situação na Cisjordânia continua a ser um ponto crítico, com a possibilidade de reconhecimento do Estado palestino sendo discutida na próxima Assembleia Geral da ONU. Apesar da falta de garantias de que isso trará mudanças práticas, a pressão internacional por uma solução para o conflito se intensifica, enquanto a violência e o sofrimento persistem.
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