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Brasileiro se arrepende de ter se juntado à Ucrânia por meio de aplicativo

Brasileiros enfrentam dificuldades e arrependimentos após se alistar nas forças armadas ucranianas, em meio a promessas não cumpridas.

O que leva um brasileiro a lutar nas trincheiras de uma guerra no exterior? (Foto: Pexels / Reprodução)
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  • Desde a invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022, o número de brasileiros se alistando nas forças armadas ucranianas tem aumentado.
  • Marcelo, de 28 anos, morador de Formosa, Goiás, se alistou atraído por salários de até 5 mil dólares, mas enfrentou condições precárias.
  • Ele soube da gravidez de sua esposa um dia antes de embarcar e, após três meses, decidiu voltar ao Brasil devido à gravidez de risco dela.
  • Lucas Felype Vieira Bueno, de 20 anos, se alistou para atuar na área de tecnologia militar, mas acabou na linha de frente e relatou estar “preso” na Ucrânia.
  • A Embaixada do Brasil em Kiev informou que pode oferecer assistência consular, enquanto o Ministério das Relações Exteriores registrou nove brasileiros mortos e 17 desaparecidos em conflitos na região.

Desde a invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022, cresce o número de brasileiros que se alistam voluntariamente nas forças armadas ucranianas, atraídos por promessas de altos salários e apoio militar. Entre eles, Marcelo, de 28 anos, morador de Formosa, Goiás, compartilha sua experiência marcada por dificuldades e arrependimentos.

Marcelo soube da gravidez de sua esposa um dia antes de embarcar para a Ucrânia. Ele foi recrutado por meio de grupos de WhatsApp e Telegram, atraído pela promessa de salários de até 5 mil dólares. No entanto, ao chegar, enfrentou condições precárias, como a exigência de pagar contas de gás e luz no alojamento. “Nunca foi dito que isso seria cobrado de nós”, lamenta.

Após três meses, Marcelo decidiu retornar ao Brasil ao saber que sua esposa estava com uma gravidez de risco. Ele enfrentou dificuldades para recuperar seu passaporte e, após negociações, conseguiu fugir da unidade militar. “Me sentia em cárcere”, relata. Com apoio da família, comprou uma passagem de volta e conseguiu embarcar em Varsóvia, Polônia.

Outro caso é o de Lucas Felype Vieira Bueno, de 20 anos, que se alistou para atuar na área de tecnologia militar, mas acabou na linha de frente. Em um vídeo, Lucas afirma estar “preso” na Ucrânia, sem conseguir retornar devido ao contrato que assina, que exige um período de seis meses de serviço. “Tem muitos brasileiros sem celular, sem passaporte, sem suporte e querendo vir embora”, observa Marcelo.

A Embaixada do Brasil em Kiev informou que apenas a Divisão de Comunidades Brasileiras e o Itamaraty podem oferecer assistência consular. Até julho, o Ministério das Relações Exteriores registrou nove brasileiros mortos e 17 desaparecidos em conflitos na região. O aumento no número de desertores e mortos levou a Ucrânia a intensificar a busca por estrangeiros para reforçar seu exército.

“O que está acontecendo é uma propaganda de guerra”, afirma Gustavo Pereira, que perdeu o irmão em combate. O alistamento de brasileiros é facilitado por páginas traduzidas para o português e recrutadores atuando em redes sociais. Apesar das promessas, muitos enfrentam a dura realidade do conflito.

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