- As Jornadas Gardelianas ocorreram em Montevidéu nos dias 23 e 24 de junho, reunindo especialistas sobre a origem de Carlos Gardel.
- O evento teve como foco a tese de que Gardel nasceu em Tacuarembó, Uruguai, e não na França.
- Gustavo Colman, organizador do evento, destacou a necessidade de desmentir a narrativa que atribui a Gardel o nome de Charles Romuald Gardés.
- A poetisa Martina Iñiguez apresentou evidências que contestam a biografia tradicional de Gardel, afirmando que ele e Charles Romuald Gardés são pessoas distintas.
- O engenheiro Maurício Umaña trouxe novas informações sobre o acidente aéreo que matou Gardel, atribuindo a tragédia à imperícia do piloto e ao excesso de peso da aeronave.
Jornadas Gardelianas: O Debate Sobre a Origem de Carlos Gardel
As Jornadas Gardelianas, realizadas em Montevidéu nos dias 23 e 24 de junho, reuniram especialistas que defendem a tese de que Carlos Gardel, ícone do tango, nasceu em Tacuarembó, Uruguai, e não na França, como amplamente acreditado. O evento, que ocorreu na Asociación General de Autores del Uruguay, teve como objetivo desmistificar a narrativa francesa que atribui a Gardel o nome de Charles Romuald Gardés, nascido em 1890.
Durante a abertura, Gustavo Colman, organizador do evento, destacou a importância de derrotar a “mentira francesista”. A tese uruguaiista, que sugere que Gardel nasceu em 1884 e é filho do coronel Carlos Escayola e de María Lelia Oliva, foi defendida por diversos pesquisadores. A poetisa argentina Martina Iñiguez, que se tornou uma fervorosa defensora da origem uruguaia, apresentou evidências que contradizem a biografia tradicional de Gardel, incluindo a afirmação de que Charles Romuald Gardés e Carlos Gardel são pessoas distintas.
Evidências e Controvérsias
Martina Iñiguez, em sua palestra, mencionou que a versão de Gardel como filho de Berta Gardés e Paul Jean Lasserre é contestada por documentos que indicam sua verdadeira origem. Ela argumentou que Gardel, após se mudar para Buenos Aires, manteve laços com sua família biológica em Tacuarembó. A pesquisa de Iñiguez é apoiada por uma vasta bibliografia, com pelo menos doze livros que defendem a tese francesa e trinta que sustentam a versão uruguaia.
O engenheiro colombiano Maurício Umaña também contribuiu para o debate, apresentando novas informações sobre o acidente aéreo que matou Gardel em 1935. Ele afirmou que a tragédia foi causada pela imperícia do piloto e excesso de peso na aeronave, desafiando as narrativas populares que envolvem brigas e tiros.
O Legado de Gardel
As Jornadas Gardelianas atraíram um público reduzido, mas engajado, que discutiu a relevância da identidade de Gardel para a cultura rioplatense. Colman enfatizou que é fundamental devolver a Gardel sua verdadeira identidade, que foi distorcida ao longo do tempo. Ele apresentou um pedido à Comissão de Direitos Humanos do Uruguai para que a causa da identidade uruguaia de Gardel seja levada à Corte Internacional de Direitos Humanos.
Os debates sobre a origem de Gardel continuam a gerar paixões e rivalidades, especialmente entre uruguaios e argentinos. A figura do cantor transcende fronteiras, e sua história permanece envolta em mistério e controvérsia, refletindo as complexidades da identidade cultural na região.
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