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Literatura subversiva inquieta ditadores, afirma Cristina Peri Rossi

Cristina Peri Rossi celebra suas traduções para o português, destacando a resistência da literatura e a luta LGBTQIA+ em tempos de repressão

Foto: Reprodução
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  • A escritora uruguaia Cristina Peri Rossi tem suas obras traduzidas para o português no Brasil, incluindo a antologia poética “Nossa Vingança é o Amor” e o romance “A Insubmissa”.
  • Aos 83 anos, Peri Rossi é a única mulher do Boom Latino-Americano, movimento que inclui autores como Gabriel García Márquez e Julio Cortázar.
  • A autora expressou sua emoção ao ser lida em um país de grande dimensão cultural como o Brasil, destacando a importância da proximidade entre os povos.
  • Peri Rossi, que já foi traduzida para mais de 25 idiomas, reconhece os desafios da tradução, especialmente na poesia, onde o lirismo pode se perder.
  • Ela também discute a resistência da literatura em tempos de repressão e a condição LGBTQIA+, afirmando que a literatura tem um papel subversivo e de apoio em momentos difíceis.

A escritora uruguaia Cristina Peri Rossi, reconhecida por sua contribuição à literatura e por ter sido exilada durante a ditadura em seu país, agora tem suas obras traduzidas para o português no Brasil. Aos 83 anos, Peri Rossi é considerada a única mulher do Boom Latino-Americano, movimento que inclui autores renomados como Gabriel García Márquez e Julio Cortázar. As traduções incluem a antologia poética “Nossa Vingança é o Amor” e o romance “A Insubmissa”.

A autora expressou sua emoção ao ser traduzida para um país de dimensões continentais como o Brasil. “Ser lida por leitores desse país me emociona mais do que ser lida por chineses ou japoneses,” afirmou. Peri Rossi, que já foi traduzida para mais de 25 idiomas, destaca a importância da proximidade cultural e emocional com o Brasil.

A tradução, especialmente de poesia, é um desafio, pois envolve não apenas o sentido, mas também a intenção e o ritmo. A escritora, que também é tradutora, reconhece que “traduzir é trair”, pois sempre há algo que se perde na transposição de um idioma para outro. Ela ressalta a dificuldade de transmitir o lirismo de certas palavras, mas também a necessidade de aceitar as limitações do processo.

Resistência da Literatura

Peri Rossi, que viveu a experiência de ser silenciada e apátrida, acredita que a literatura possui um caráter subversivo que incomoda os regimes autoritários. “Os leitores sempre resistem,” afirma, mencionando que livros são escondidos e preservados mesmo em tempos de repressão. A literatura, segundo ela, tem o poder de acompanhar as pessoas em momentos de desespero.

A escritora também reflete sobre a condição LGBTQIA+ e o recrudescimento das forças conservadoras. Seu primeiro livro de poemas, “Evohé”, foi um escândalo em 1971, mas hoje é um símbolo de resistência. “Confio que a força e a solidariedade do movimento LGBTQIA+ possam resistir aos embates da ultradireita,” conclui.

A identidade de Peri Rossi como estrangeira é uma parte fundamental de sua obra. Para ela, o estrangeiro é sempre o outro, e essa condição molda sua perspectiva literária. Se tivesse que escolher uma palavra para definir sua trajetória, seria “valentia”, refletindo sua coragem em enfrentar desafios ao longo de sua vida e carreira.

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