- Irina Artiomova, residente em Kramatorsk, na província de Donetsk, afirma que a população local resiste à ocupação russa, questionando o que faria se um vizinho invadisse sua casa.
- A situação humanitária na região piora, com a população de Donbás reduzida pela metade desde 2022, quando havia cerca de seis milhões de habitantes.
- O Kremlin busca consolidar seu controle sobre Donbás, enquanto líderes ucranianos, como Volodímir Zelenski, se opõem à entrega de território.
- As condições de vida em Donbás se deterioram, com escassez de água e infraestrutura danificada, enquanto cidades como Mariupol enfrentam crises de abastecimento.
- A resistência em Kramatorsk e Sloviansk é crucial para a defesa da soberania ucraniana, e a queda dessas cidades poderia facilitar um avanço russo em direção a Dnipró.
A resistência à ocupação russa em Kramatorsk
Irina Artiomova, de 42 anos, vive em Kramatorsk, na província de Donetsk, e expressa a determinação da população local em resistir à ocupação russa. A cidade, situada a cerca de 20 quilômetros do front, é um dos alvos estratégicos do Kremlin na região de Donbás. Artiomova questiona: “O que você faria se um vizinho invadisse sua casa?” Sua resposta é clara: não se render.
A situação humanitária na região se agrava, com a população de Donbás reduzida pela metade desde 2022, quando cerca de seis milhões de pessoas habitavam a área. O conflito, que começou em 2014 com a anexação da Crimeia, resultou em um aumento da pressão russa sobre Kramatorsk e outras cidades. Cerca de 30% do território de Donetsk ainda está sob controle ucraniano, e a resistência se concentra em áreas como Kramatorsk e Sloviansk, essenciais para a defesa da soberania ucraniana.
A luta pela soberania
O Kremlin tem buscado consolidar seu domínio sobre Donbás, uma região com forte histórico industrial e cultural. Desde a invasão em grande escala em fevereiro de 2022, as tropas russas ocuparam quase toda a província de Lugansk e a maior parte de Donetsk. O presidente russo, Vladimir Putin, tem manifestado interesse em expandir seu controle sobre a região, enquanto líderes ucranianos, como Volodímir Zelenski, se opõem a qualquer ceder de território.
Tetiana Kozlovska, de 40 anos, que deixou Donetsk em 2014, expressa sua frustração com a possibilidade de ceder terras. “É doloroso pensar que tantos morreram por sua terra, talvez em vão,” afirma. A designer gráfica acredita que a ambição russa vai além do território: “Eles não querem apenas a terra, mas a própria existência da Ucrânia.”
Desafios e consequências
As condições de vida em Donbás se deterioraram, com escassez de água e infraestrutura devastada. A cidade de Mariupol, uma das principais conquistas russas, enfrenta uma grave crise de abastecimento, e a propaganda russa sobre a reconstrução da cidade não se concretizou. As localidades próximas ao front, como Górlovka, sofrem com bombardeios constantes, enquanto a população clama por paz.
A resistência em Kramatorsk e Sloviansk é vista como um bastião crucial contra a ofensiva russa. A queda dessas cidades poderia abrir caminho para um avanço russo em direção a Dnipró, um ponto estratégico vital. O Instituto para o Estudo da Guerra alerta que a rendição de Donetsk sem um acordo de paz definitivo poderia resultar em novos conflitos, colocando em risco a segurança da Ucrânia.
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