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Múmias incas de Llullaillaco revelam segredos de uma antiga civilização intacta

Descoberta no vulcão Llullaillaco revela segredos da capacocha, ritual inca de sacrifício infantil em busca de conexão com os deuses

Foto: Reprodução
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  • Em março de mil novecentos e noventa e nove, arqueólogos descobriram três corpos infantis no vulcão Llullaillaco, na fronteira entre Argentina e Chile.
  • Os corpos estavam em excelente estado de conservação, enterrados há cerca de quinhentos anos.
  • As crianças foram enterradas com objetos cerimoniais, como tecidos finos e estatuetas, relacionados à prática inca da capacocha, um ritual de sacrifício humano.
  • Pesquisas indicam que as crianças eram escolhidas de famílias respeitáveis e passaram por um processo de preparação, incluindo mudanças na dieta.
  • Atualmente, os corpos estão sob os cuidados do Museu de Arqueologia de Alta Montanha, em Salta, Argentina, onde são mantidos em condições controladas.

Em março de 1999, uma equipe de arqueólogos fez uma descoberta notável no vulcão Llullaillaco, na fronteira entre Argentina e Chile. Três corpos infantis, conhecidos como “Crianças de Llullaillaco”, foram encontrados em perfeito estado de conservação, após terem sido enterrados há cerca de 500 anos. Os corpos, preservados pelo frio extremo e pela baixa umidade, revelaram detalhes sobre a prática inca da capacocha, um ritual que envolvia sacrifícios humanos.

As crianças, que incluíam a “Donzela”, de 13 anos, e dois menores, foram enterradas com objetos cerimoniais de alta qualidade, como tecidos finos e estatuetas. Esses itens eram oferecidos para ajudar as crianças em uma possível vida após a morte e demonstrar sua importância aos deuses. A prática de capacocha, que significa “sacrifício real”, era realizada em momentos de crise ou em celebrações significativas, como a morte de um imperador.

Pesquisas indicam que as crianças eram escolhidas de famílias respeitáveis e passavam por um processo de preparação que incluía mudanças na dieta. Um estudo de 2013 revelou que a Donzela teve uma alimentação rica em carne e milho, alimentos reservados às elites, antes de sua morte. Análises químicas do cabelo mostraram também o consumo de folhas de coca e álcool, usados para sedação.

Após a seleção, as crianças eram levadas a Cusco, a capital do império, e depois ao vulcão, acompanhadas por sacerdotes. No topo, foram colocadas em câmaras de pedra, vestidas com roupas finas e cercadas por objetos cerimoniais. A preservação dos corpos e a análise dos rituais incas oferecem uma visão única sobre a complexidade cultural do Império Inca. Atualmente, os corpos estão sob os cuidados do Museu de Arqueologia de Alta Montanha (MAAM), em Salta, Argentina, onde são mantidos em condições controladas para evitar degradação.

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